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08 - Os “filhos de Deus”
08 - Os “filhos de Deus”

08 - Os “filhos de Deus”

Referência ao capítulo seis de Gênesis: eram realmente anjos? Eram os Nefilins? 

“Naqueles dias estavam os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade” (Gênesis 6.4).

Há uma controvérsia entre os estudiosos, principalmente, em relação à interpretação desse capítulo, pois alguns consideram que a expressão “filhos de Deus”, é atribuída aos anjos que, provavelmente, Deus os enviou para uma missão, onde eles tomaram forma corpórea, e, seduzidos pela vida humana, se rebelaram e rejeitaram sua condição angelical.

A teoria de que os “filhos de Deus” eram anjos, não subsiste ante a declaração de Jesus, quando afirma que “nem se casam nem se dão em casamento” (Mt 22.30), afirmam alguns teólogos, por meio da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), posto que não existe relato de que essa condição humana, para os anjos, tenha sido permanente, irreversível.

Em sendo verdade, materializados eles puderam, sim, constituir família. Seus descendentes seriam os nefilins (nefilín, originário do hebraico, tal termo deriva do verbo nafál ou nefal: cair, queda, derrubar, cortar. Traz a ideia de dividido, falho, perdido, desertor), ou seja, em especial os gigantes da Era pré-diluviana, para alguns; estes contaminaram a terra com a carnalidade, a feitiçaria, daí veio à construção de uma nova humanidade, por conta disso houve o dilúvio. Mas a Bíblia não afirma que anjos se materializaram e abandonaram a missão, os céus.

Os que não apostam nessa tese, como nos mostra a Bíblia de estudo pentecostal, afirmam que “os filhos de Deus” eram os descendentes de Sete, um dos filhos de Adão (“Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou filhos e filhas” - Gênesis 5.7), estes deram início aos casamentos mistos com “as filhas dos homens”, mulheres ímpias, mundanas, da família de Caim (“Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que nos amemos uns aos outros, não sendo como Caim, que era do Maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as obras de seu irmão justas” - I João 3.11,12, e: “Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro” - Judas 11.1).

Essa união entre os justos e os ímpios levou-os à maldade, como resultado a terra corrompeu-se e encheu-se de violência, o pecado manifestava-se abertamente. Daí o julgamento divino por meio do Dilúvio. Bem mais plausível essa interpretação, a qual eu creio. Mas antes Deus deu chance ao homem de arrepender-se por meio da pregação de Noé, contudo, não quiseram.

“Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos” (Números 13.33).

Assim sendo, os nefilins era apenas mais um povo. De qualquer forma não há necessidade de nos determos nesses detalhes hermenêuticos. Mais importante é compreender a salvação em Jesus. Abordamos esse capítulo exatamente por conta da controvérsia, é importante que aquele que nunca ouviu falar dessas teorias tome conhecimento. Contudo, não vamos nos ater a pormenores que em nada acrescenta à nossa salvação (“... antes santificai a Cristo como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós...” I Pedro 3.15).

Que belo conclame do apóstolo Pedro, que pede que tenhamos reverência para com Cristo e nos dediquemos a Ele como Senhor, no sentido de estarmos sempre dispostos a defender a sua causa e explicar o evangelho aos outros, como também nos pede o profeta Isaías: “Ao Senhor dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro” (Isaías 8.13).

Devemos conhecer a Palavra de Deus e a sua vontade, a fim de testemunhar corretamente de Cristo e levar outras pessoas ao conhecimento dele. Pouco “se-me-dá” o “sexo dos anjos”.

Os anjos do capítulo nove do livro de Ezequiel

“Então me disse: Viste, filho do homem? Acaso é isto coisa leviana para a casa de Judá, o fazerem eles as abominações que fazem aqui? pois, havendo enchido a terra de violência, tornam a provocar-me à ira... Pelo que também eu procederei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei” (Ezequiel 9.17,18).

“Então me gritou aos ouvidos com grande voz, dizendo: Chegai, vós, os intendentes (que tem poderes, que governam, que protegem) da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão. E eis que vinham seis homens... e cada um com a sua arma de matança na mão; e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão à sua cintura

E a glória do Deus de Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, e passou para a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que trazia o tinteiro de escrivão à sua cintura. E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela (dos fiéis).

E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. ...mas não vos chegueis a qualquer sobre quem estiver o sinal; e começai pelo meu santuário. E saíram, e feriram na cidade. Sucedeu pois, que enquanto eles estavam ferindo, e ficando eu sozinho, caí com o rosto em terra, e clamei, e disse: Ah Senhor Deus! Destruirás todo o restante de Israel, derramando a tua indignação sobre Jerusalém?

Então me disse: A culpa da casa de Israel e de Judá é grandíssima, a terra está cheia de sangue, e a cidade cheia de injustiça; pois eles dizem: O Senhor abandonou a terra; o Senhor não vê (Como se dissessem: “Deus não está olhando para isso tudo!”). E eis que o homem que estava vestido de linho, a cuja cintura estava o tinteiro, tornou com a resposta, dizendo: Fiz como me ordenaste” (Ezequiel 9.1-11).

Os estudiosos veem aqui, nessa narrativa, a presença de sete anjos, sendo o sétimo diferenciado, em suas vestes e missão: marcar a testa dos fiéis com uma tinta que trazia.

Esse “modo de marcação” do Senhor ocorreu, também, com os hebreus, quando o Senhor marcou com sangue suas residências, para que o anjo da morte não os atingisse.

A prostituta Raabe também marcou sua casa para que os hebreus a poupassem quando entrassem em Jericó, uma vez que ela os ajudou.

No fim dos tempos, o Anticristo haverá de querer marcar aqueles que se renderam a ele. Para nós cristãos da atualidade, nossa marca principal é o sangue de Cristo derramado na cruz.

“Fazei chegar”. Aparentemente eles apareceram de repente, sob a ordem divina. Seis deles estavam armados, não é especificado que tipo de arma.

Observe que os anjos não questionaram, mas logo obedeceram, mesmo ante uma ordem tão dura que era a execução dos culpados.

“Começai pelo meu santuário”.  A culpa principal estava na liderança do santuário. Os líderes têm maior responsabilidade diante de Deus, quando não ensinam a Palavra de maneira correta, nem alertam os fiéis quanto ao pecado e quando eles próprios não são bons exemplos.

 

 

 

BÍBLIA de Estudo Pentecostal – AT e NT. Referências e Algumas Variantes. Trad. João F. de Almeida. São Paulo, CPAD/SBB, 1995.

BÍBLIA Sagrada (Eletrônica, AT e NT). Europa Multimídia. Programação: Leandro Calçada, Ilustração: Wilson Roberto Jr. Colaboração: Thélos Associação Cultural.

Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas