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01 - Paulo Coelho em busca do anjo
01 - Paulo Coelho em busca do anjo

01 - Paulo Coelho em busca do anjo

“– Todo mundo pode contatar quatro tipos de entidades no mundo invisível: os elementais, os espíritos desencarnados, os santos, e os anjos”. (As Valkírias – pdf - meocloud - p. 21).

Certa vez, estando eu em uma Biblioteca Municipal, pousei os meus olhos ao acaso em um livro do afamado escritor brasileiro, Paulo Coelho, e pensei: “vou ler este, o que será que esse autor tem de tão bom, para vender tanto”? Embasada nas críticas literárias, eu duvidava que houvesse um rico conteúdo. 

Descobri um personagem ansioso para encontrar seu anjo da guarda, como o demonstra em “As Valkírias” (Ed. Rocco, 1992). O livro é mesclado com ficção e com pinceladas autobiográficas, descrito em 3ª pessoa, por meio de narradores, às vezes dois, oniscientes.

Parece mesmo alguém em devaneios, por excesso de busca, de conjectura ou como se um chá tivesse lhe causado tais delírios, ou talvez excesso do sol escaldante: 50° à sombra no imenso deserto que se estende por cinco estados americanos e adentra o México, onde ele se fez peregrino. Como relata sua esposa Chris:“- ...largar tudo de repente, ir atrás de caminhos sagrados, espadas, conversas com anjos. Fazer todo o possível para seguir adiante no caminho da magia” (As Valkírias - p.28).

“Fazer todo o possível para seguir adiante no caminho da magia”. Esse é o objetivo. Magia, aí, pode ser algo muitíssimo amplo.

O título do livro contrasta com o foco principal que é “conversar com o anjo”, o título de capa, como já foi mencionado, é “As Valkírias”, na verdade um personagem da mitologia nórdica. Nos capítulos seguintes muitos outros temas são abordados, eis o verdadeiro objetivo do livro, embora logo que o abrimos nos deparamos com um versículo bíblico que faz alusão a anjos: “E um anjo desceu onde eles estavam...” (Lucas 2.9).

A história contada por Paulo é a seguinte:

Paulo tem um encontro com seu mestre, “J”, no Rio de Janeiro, o qual não via há alguns meses. Ele afirma que seu jovem mestre é importante para ele, pois entre outras coisas, “teve paciência em conduzi-lo pelos intricados caminhos da magia” e “apesar de seus poderes”, é uma pessoa comum, com dúvidas e fraquezas. Por isso agradecia a Deus por ter um mestre tão humano.

Durante o encontro “J” sugeriu uma nova tarefa a Paulo: conversar com o anjo da guarda com o objetivo de quebrar uma maldição e Paulo sabe de conversas anteriores, que há um rapaz que pode ajudá-lo.

O tal mestre deixa tudo no ar. Dá um toque de mistério. Fala apenas o nome de alguém que vive no deserto Mojave, nos “confins” de Los Angeles, que também, apesar da pouca idade, é mestre. Embora “J” tenha dito “que qualquer lugar servia”, Paulo, como diz Chris, larga tudo e sai em busca de seu anjo no deserto.

Nesse ínterim, hospedado em um pequeno hotel, na cidadezinha de Borrego Springs, ele teoriza para Chris sobre a fantástica atividade dos seres alados e afirma: “O universo está povoado de anjos...” (p.38).

Esses “teóricos” sonham em decifrar o cosmo místico em sua totalidade. Almejam explicações, como não as encontram, através de sérias pesquisas, embora a ciência seja limitada, nesse caso em especial, suas mentes brilhantes, como diria o poeta Augusto dos Anjos, “parem absurdos”, e passam a criar teorias desvairadas. É claro, que somos para estes o reverso da medalha e nossas teorias bíblicas também não são compreendidas, ou melhor, não são aceitas.

“... maquina invenções malignas para destruir os mansos com palavras falsas...” (Isaías 32.7).

“Tudo (Deus) fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim” (Eclesiastes 3.11).

O tal jovem, sugerido pelo mestre de Paulo, foi encontrado em um trailer onde morava estacionado em pleno deserto. Took, esse é o nome do moço, um mestre da “Tradição” que sabia como conversar com anjos. Ele conta a Paulo que umas mulheres, que se vestem de negro, tal quais os praticantes da Wicca, e perambulam de cidade em cidade, ajudar-lhe-iam a ver o anjo.

O rapaz diz a Paulo que muita gente já viu e conversou com o seu anjo. “Os anjos são amor em movimento. Que não para nunca, que luta para crescer e está além do bem e do mal...”, explicou ele (p. 73).

Enquanto eles esperavam o acaso lhes marcar um encontro com as mulheres, Paulo e Chris decidiram caminhar pelo deserto. Calcularam uma hora de ida e volta para o pequeno passeio. Deduziram de forma errada. Depois de andar a esmo resolveram desistir. No percurso de volta chegaram à conclusão que deveriam tirar as roupas. Caminharam nus pelo deserto sob um sol fumegante. Começaram a sentir os efeitos da insolação, ficaram sonolentos, fracos e muito cansados. A sorte foi alguém surgir (um “anjo”, não podia deixar de ser, já que os anjos estão presentes na casualidade, segundo a ótica de Paulo, mas não é verdade, essas coincidências são a oportunidade de Deus nos mostrar pequenos milagres), resgatou-os e os salvou da morte. O soro injetado nas veias ajudou na rápida recuperação de ambos.

A partir daí eles vagueiam por alguns vilarejos, esperando encontrar as Valkírias, como explica um livro lido por Chris significam “ninfas do palácio de Votan. Mensageiras dos deuses. Mensageiras. Como os anjos” (p. 32 –bookbrasil - pdf).

Outra vez caminham pelo deserto, agora, juntos com as “mensageiras dos deuses”, chegam a uma montanha onde tem uma mina abandonada. Uma placa anuncia a propriedade do governo e proíbe a entrada de estranhos, contudo, adentram sua escuridão. Depois de dez minutos sentam-se. As tais Valkírias passam ensinamentos “sábios e profundos”, do tipo: “Anjos são visível para quem aceita a luz. E rompe o acordo das trevas” (p. 118). Paulo afirma não ter acordo com o mal. O protagonista, deitado com a face encostada nos seios nus da referida mulher, ouve e faz confissões: “O terror não me deixa dormir a noite, nem descansar durante o dia” (p. 138).

Ninguém mexe com as trevas e sai incólume, isso é um pequeno preço. A mim parece dúbio o sentido implícito na frase por ele citada. É possível que, em algum momento do relacionamento dele com as trevas, ele tenha vivido realmente uma fase aterradora, como descreve nesse livro, mas bem pode ser que ele tenha que conviver com o efeito colateral das trevas, constantemente.

“Estes (inventivos mestres) são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito” (Santo - Judas 1.19).

Curioso é que, quanto ao quesito “sensualidade”, a narrativa de Paulo trata desse tema quando o mesmo participa de reuniões da Tradição e se vê às voltas com “homens estranhos e mulheres bonitas, todos com uma áurea de sensualidade enorme vibrando em torno” (p. 30). Admite.

Depois de alguns rituais e certos ensinamentos, as Valkírias vão embora e nada de anjo. Eles resolveram esperar e andar mais um pouco enquanto dava continuidade às suas buscas.

Em meio a tudo isso Chris chega à conclusão que seu anjo fala-lhe cada vez mais (voz da consciência ou outra voz achando brecha em sua consciência?), embora ela não o veja.

Paulo resolve sozinho, tentar encontrar o anjo dele em um desfiladeiro do deserto, ao amanhecer. “Para isso, precisava perder um pouco a consciência, deixar que algo - um espírito ou um anjo - o possuísse. Entregou-se completamente...” (p. 225, Editora Rocco).

Ao chegar lá se pôs a monologar com seu anjo, sem que o visse, disse-lhe coisas. Momento depois sentiu uma forte presença, achou que ia desmaiar de pavor, mas não desmaiou. Surgiu um braço dourado, brilhante como o sol e começou a escrever algo. O tal ser afirmou que ali estava escrito o nome dele. (p. 228, 229).

Pois foi assim, em síntese, que Paulo encontrou seu anjo. O nome desse anjo? Sabe Deus! Paulo não declara.

Teria o escritor, Paulo Coelho, apenas a intenção de divulgar sua busca, aparentemente ingênua, pelo anjo da guarda, por meio de As Valkírias? Está claro que não.

A prova disso é quando nos deparamos com alguns termos que nos levam ao conhecimento de seitas, embora ele se diga cristão católico não há respaldo bíblico para seus indicativos.

(Peço licença, e desculpas, aos cristãos católicos por citá-los tantas vezes. Inclusive, de forma indireta, o escritor Paulo Coelho também faz referência aos mesmos. Eu o faço por ser, depois do cristianismo evangélico, o maior segmento cristão em nosso país; se faz necessário uma comparação considerando a Bíblia. Meu intento é mostrar a versão bíblica, não fazer críticas desrespeitosas. O único objetivo é mostrar o que a Bíblia nos ensina. A escolha é de cada um e, infelizmente, não posso fugir a algumas análises, respeitosamente).

Os termos encontrados são bastante usados pelos seguidores do esoterismo, da Nova Era, não chega a ser surpresa, uma vez que ele trata desses assuntos tanto em seus livros, como em entrevistas: “Mas o mago aqui sou eu” (p.33). “... não se lembra de que também sou um mestre em magia?” (p.70). Assim se define nesse livro. A Palavra de Deus deixa clara a oposição a esses temas. Porém, Paulo Coelho não o faz de maneira camuflada, sabemos que ele sempre assumiu sua opção religiosa.

Vejamos quais são os termos, seguindo, quase sempre, a sequência citada no livro,As Valkírias, os quais exponho aqui no formato de glossário, mais à frente veremos a definição de cada um:

. Anjo

. Bíblia

. Mestre

. Mestres Iluminados

. Magia

. Magia Sufi

. Magia Sexual

. Mago

. Tradição Esotérica

. Tradição Diânica

. Valkírias (Walkyrias)

. Vahalla, (Valhalla, Walhala)

. Votan (Wotam, Odin)

. Elementais

. Espíritos desencarnados

. Santos

. Aparecida, Padroeira do Brasil

. Canalização

. Segunda Mente

. Mediunidade

. Bruxo

. Feiticeiros Ojibuei

. Nome Mágico

. Nova Era

. Sétimo Raio

. Reencarnação

. A Grande Obra

. Rituais Templários

. Duendes

. Fadas

. Psicografia

A partir dessa pequena lista analisaremos cada termo. Veremos também o esclarecimento e o posicionamento bíblico sobre os subtópicos correlacionados, se por ventura houver desdobramento, exemplo: mestres, falsos mestres, etc.

Também haverá repetição de versículos, pois os mesmos, algumas vezes abrangem temas diversos, e textos bíblicos um tanto alongados, pois creio que a maioria não tem o hábito da leitura bíblica, esses textos, assim colocados, darão oportunidade aos menos afeitos (Outras vezes colocarei os versículos de maneira resumida, os mesmos poderão ser consultados na íntegra, conforme citação).

 

 

COELHO, Paulo. As Valkírias. 76ª ed. Rio de Janeiro. Editora Rocco, 1992.

www.bookbrasil.com.br/asvalkirias

BÍBLIA de Estudo Pentecostal – AT e NT. Referências e Algumas Variantes. Trad. João F. de Almeida. São Paulo, CPAD/SBB, 1995 (ISBN 85-263-0048-2-BEP).

BÍBLIA Sagrada (Eletrônica, AT e NT). Europa Multimídia. Programação: Leandro Calçada, Ilustração: Wilson Roberto Jr. Colaboração: Thélos Associação Cultural.

As Valkírias – pdf-https://meocloud.pt/link - https://cld.pt/dl/download/

Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas