4 - A NOVA DAS ÚLTIMAS POESIAS  
4 - A NOVA DAS ÚLTIMAS POESIAS  

1 - PEGADAS

 

Os pés de Cristo...

De aldeão

Eram os pés de Cristo.

Santos peregrinos pés.

Ligeiros,

Incansáveis

Empoeirados.

 

Os pés de Deus

Nos pés de Cristo.

Arrastados para o Gólgota,

Pés no sacrifício.

Orifícios de salvação.

 

                                           08/1995.

 

2 - ALMA INQUIETA  

    

Minh’alma desassossegada

Tem uma minuta do seu amor.

E traz, colado a ela,

Uma xerox da alma sua.

 

                               08/1995

 

3 - SUB-HUMANO

 

Oh, tão atroz abandono!

De uma extremidade a outra

Do corpo

Vagueia minha alma.

Tanto esperneei, Senhor,

Cavei uma distância

Entre mim e ti.

Eu tão pó,

Ele Deus!

                        10/1995.

 

4 - DESILUSÃO

 

Ele dissecava-a

Com os olhos.

Aqueles olhos

Enrustidos de amores.

Fez um brinde e lamentou

Com o amigo de infortúnio:

­- Bebamos, na mesma taça,

As lágrimas da dor

Do amor que ainda

Não veio.  

 

                     12/1995.

 

5 - INQUIETUDE DA IMPACIÊNCIA

 

A ansiedade

É doidivanas

Alucinógena.

Quero é ficar

Bem quieta

E esperar por Deus,

Que vem vindo

Logo ali.

Trazendo-me tudo.

 

                     12/1995.

 

6 - CLARO-ESCURO

 

Esse cheiro meu

De mulher...

Essa lua grande...

Ora prata

Ora de uma palidez

Espantosa!

Deixa-me pequena

Deixa-me cheia

Deixa-me frágil

Deixa-me minguante

Deixa-me nada!

Nem gente me deixa ser.

 

                           02/1996.

 

7 - VERSÃO - à la Mário Quintana

 

Mário

Era um menininho

Sempre por trás da vidraça.

Copiosa chuva

Descia sobre ela.

Quebraram o vitral.

De susto Mariozinho

Nunca mais voltou.

 

Havia uma pedra

No meio de um poema cansado

Ou seria no meio do caminho

Do velho poeta exausto?

Um anjo prontificou-se:

- Removerei a pedra.

Só então a inspiração brotou.

 

                              03/1996.

 

8 - BLECAUTE ÍNTIMO

 

Em meio

A desilusão negra

Com que a noite me cobria,

Debaixo daquela árvore

Ergui a cabeça ao acaso

E em meio ao céu

Noturnamente embaçado,

Por entre

O emaranhado de folhas

Sobressaia-se

Um minúsculo

Pontinho luminoso.

Talvez não fosse estrela.

Talvez fosse o brilho

Do olhar de Deus

Que me seguia.

 

                      03/1996.

 

9 - A IDADE DA LOBA

 

O relógio biológico

Marca o nascer do sol

Quando se é menina.

Ao meio dia

É tempo de ser moça.

Não há pressa.

A vitalidade transborda.

Tudo está à mão.

Depois disso

O sol do relógio temporal

Marca o crepúsculo.

Há dentro em mim

Uma pressa desanimada

E a constatação infeliz

Que a maturidade aponta:

Pouca coisa peguei.

A essência escapou-me

Entre os dedos.

 

                       05/1996.

 

10 - MADALENA II

 

Oh, a aridez da vida...

As negativas que nos desvanecem.

Encontro-me em terra estranha,

Cheia de inacabados sonhos.

Vários homens bailam

Em meu pensamento.

Qual deles eu mais amo?

Na verdade nenhum me quer

Sinto-me a própria Raabe.

- Sim, Senhor, sou Raabe,

A prostituta.

Pegue-me pelo colarinho,

Tire-me de Jericó.

Marque-me com um fio escarlate.

Livre-me desse deserto.

 

                            05/1996.

 

11 - OBSTRUÇÃO I

 

Há tempos não faço um poema.

Fecharam-se as torneiras

Da inspiração

Apagaram-se as centelhas.

Fugiram as musas.

Oh, Jesus,

Leva-me a dar uma volta

Nos arredores dos céus.

Quem sabe na volta

Eu não tenha tanto

Para dizer.

E se eu não voltar...?

Aí é que não mais farei

Poemas mesmo.

Estarei nos braços do Grande Poeta

Nada mais hei de querer.

 

                           09/1996.

 

12 - AS PESSOAS E A PEDRA

 

Tem gente que é uma pedra que desce.

Tem gente que nasceu para atirar pedras.

Tem gente que nasceu para levar pedradas.

Tem gente que é uma pedra de tropeço no caminho de outras gentes.

Tem gente que é pedrado, marmóreo.

Tem gente que não consegue sequer tirar do caminho as pequenas pedras.

 

Cada pedra na nossa vida!

Tanta vida empedrada...

Tanta pedra com vida.

Removamos ou lapidemos, pois, as pedras!

 

                                           09/1996.

 

13 - VERSÃO FEMININA

 

E agora, Josefa?

O tempo passou,

A idade chegou.

Amanheceu solidão.

 

E agora, Josefa?

Seu pai nunca ligou,

Seu irmão não lhe amou.

Adormeceu sem perdão.

 

E agora, Josefa?

A vida é um tédio

Quer pular de um prédio,

Mas tudo desabou.

 

E agora, Josefa?

Pulou de um viaduto

Não deixou ninguém de luto.

 

Você não é nada forte, Josefa,

O poeta lastimou.

 

                                           10/1996.

 

14 - DE PONTA A PONTA

 

Na ponta do lápis

Sou dez vezes

Melhor articulada

Que na ponta da língua.

Na ponta da língua...

(como quem sussurra):

- Só beijos!

A gente filosofa mesmo

É com o lápis,

Que psicografa nossa dialética.

 

                              10/1996.

 

15 - EVIDÊNCIA ÍNTIMA

 

Eu,

Primogênita

De meus pais,

De barro não era.

Lodo!

Sentimentos

Viscosos,

Escorregadios,

Na sorte esverdeada

De má sorte.

 

                                           03/1997.

 

16 - SELVA URBANA

 

Ruas vazias

Casas sozinhas.

Sozinhas?!

É difícil.

As solidões

Bem calçadas.

Arranha-céu

Não alcança

As estrelas

Imponência solitária.

 

                      03/1997.

 

17 - A NÁUSEA

 

O mundo não caberia

O meu vômito!

De repulsa de minha infindável

Solteirice solitária.

De nojo de minha mediocridade

Espiritual,

Intelectual.

De nojo de uma sociedade hipócrita.

De nojo da mesquinhez

Dessa mesma sociedade.

 

                               03/1997.

 

18 - FRAGILIDADE

 

A multidão precipitou-se

À porta do bonde.

O homem protegia

Sua amada pela retaguarda.

Primeiro as damas:

Esse gesto dizia.

A isso chamamos

De cavalheirismo.

A Bíblia já os ensinava:

Protegei-a como sexo frágil.

Ah, como sou frágil...

Puxem-me as cadeiras

Abram-me as portas

Cedam-me os assentos

Tragam-me as flores!

 

                         04/1997.

                   

19 - O PROLETÁRIO E A SUPOSTA LADY

 

Princesa!

Você é tão linda!

Disse-me aquele homem

Surrado pela vida.

Era-me indiferente.

Seu franco elogio

Arrancou-me um sorriso,

Entretanto.

Quanto tempo

Não elevavam

Minha estima

À tamanha nobreza.

O céu noturno estrelado...

Eu poderia ver Deus

E sem telescópio.

                              

                     04/1997.

 

20 - MADALENA III

 

Senhor!

Os homens arrastam-me!

(não fora sempre assim?)

Pediam minha carne.

Agora pedem minha cabeça.

Colocam-na a prêmio

Arrastam-me por entre

A multidão que se dispõe

A apedrejar-me.

Flagrante delito,

Fragrante maldito,

Pudesse eu delir...

Pudesse eu dormir...

Acordar só quando

Tivesse afugentado

Todos os meus acusadores.

Contudo, ouço de meu Juiz

Minha sentença de vitória

Escrita no chão:

- Mulher, tão pouco eu lhe condeno... *

 

                                               05/1997.

_________________________________________      

* Trecho bíblico

 

21 - MEA-CULPA: 1922

 

Tanto grunhido,

Aleatório,

Dizendo-se música.

Passos assíncronos,

Definindo-se dança.

Tanta pichação autorretratando-se

Pintura.

Tanta árvore denominada oiticica,

Sem o ser.

“Santa” Arte Moderna!

Rogai por todos,

Purgai-os a todos...

 

06/1997.

 

22 - HORROR DA VIOLÊNCIA

                     Ao índio assassinado

O sol

Não nascera

Para ele, jamais!

Afirmou

Um aparentado.

Perambulou

Com a vida em trevas;

Morte na claridade;

Incendiaram

A mendicância.

 

                08/1997.

                                      

23 - DÁRIO

 

Minh’alma adormecida

Bebeu o santo orvalho

Da noite

Ao longe canta um

Sabiá

E traz à tona

Toda minha infância

Bem vivida.

Saudades...

Saudade do grande amor

Puro e infante

Que deixei por lá

Junto co’as demais

Lembranças.

Hoje, presa nesse cárcer

De introspecção,inda

‘Stamos bem vivos.

 

                       04/1998.

 

24 - ORLA RIBEIRINHA

 

Rio noturno

O velho Chico deitado

Era todo retina

E expunha

No brilho do olhar

O reflexo de uma

Noite só.

 

                  04/1998.

 

25 - J.P.

 

Você é ultraleve...

Mas em meu coração

Foi tão estrondoso

Quanto um Boeing.

Aqui está,

Meu poeta voador,

Um poema alado.

Onde poderá reconhecer-se.

 

                             07/1998.

 

26 - REDAÇÃO: “A Boca”

 

Daqueles lábios

Não saiam

Só beijos macios,

Suaves,

Comprimidos

E apaixonados.

Saiam loucas

Declarações

Que me iludiram,

Que me fizeram

Sofrer.

E ponto final!

Nunca mais

Quero falar

Daquela desejável

E traiçoeira boca.

 

                  11/1999.

 

27 - FALSIDADE

 

A vida, para alguns,

É uma grande encenação,

Em que é preciso viver

Diversificados papéis.

Não se limita à mesmice

De um falso personagem

Para não se tornar canastrão.

 

                                   12/1999.

                                                                                                           

28 - LUTO

 

Morreu o poeta

Que há em mim.

Nem fui ao enterro

Do poeta

Que havia em mim.

Nem ao funeral

De sua última quimera.

Ao dissecá-lo

As musas constataram:

Não havia centelha,

Não havia rima.

O verso livre

Já não voava.

Transcenderam-se.

 

                 12/2000.

 

29 - DESILUSÃO

 

Encontrei o amor

Para logo perdê-lo.

Nessa longa estrada

Solidão solidária.

Demo-nos as mãos

E prosseguimos.

Que companhia

Desprezível!

Teimosa. Obstinada.

Nem um vulto

Ao longe

Para afugenta-la.

 

               12/2000.

 

30 - MINHA CARTA

 

Deus,

Tenha piedade

De minha alma cansada.

Não a deixe por outros

Ser ultrajada.

Exaurida que está

Nesse mar de desencontro.

Permita ó Deus,

Um retorno triunfante.

Possa voltar

A minha velha alma

Acabrunhada

Uma renovada

Menina saltitante.

 

Terra, dezembro de 2000.

 

31 - ABSTRAÇÃO

 

Sou tela abstrata.

As cores a nada conduzem.

Labirintos de incógnitas

Indecifráveis.

Nas gotas amarelas

O suor do trabalho

Artesanal

Desse penoso poema.

O vermelho intenso

De meu sanguinolento

Abstracionismo

Desce pelos dedos

Antes de esvair

A vida

Na conclusão

Desse último verso.

 

                12/2000.

 

32 - DESILUSÃO II

 

Chorei

Por todos

Os motivos.

Cantei

Por tão pouco.

Nesse vale

De lágrimas

Tudo o que

Mais queria

Era a presença

“Dele”.

“Aquele”,

Que só nossa fantasia

O faz completo.

Ele, enxugando

Meu pranto.

Ele, segurando

Minha mão

De menina

Enquanto auscultava

Meu aflito coração de mulher.

Ele, consolando

Minha solidão.

 

                     01/2001.

 

33 - MELANCOLIA DE UM ADEUS

 

Por que te abates

Oh, meu coração?

Descubro-te

Tão fraco

Tão triste

Tão turbado.

Descubro-me

Tão pouco poeta.

Tão chinfrim

Que não decifro

O sentimento

Que tanto te fez

Contorcer-te.

 

              02/2001.

 

34 - AUTOPIEDADE

 

Eu, cansada,

Nos braços acolhedores de Deus,

Desato todos os nós

Que me ata a dura vida.

Choro, sorrio, lamento.

Volto a caminhar.

Prossigo rumo ao horizonte

Desconhecido.

 

                     07/2002.

 

35 - DESABAFO SÃO PAULINO

 

Miserável criatura

Que sou eu!

Quem me livrará

Do peso que tenho sido a mim mesma?

 

07/2001.

 

36 - CONTANDO AS HORAS

 

Desertos onde vago

A procura de meus

Oásis invisíveis.

Onde está

A minha vitória?

Quem a recolheu

De mim

Esquecendo a devolução?

Minha vitória está nas mãos de Deus,

Ele me fará tê-la de volta.

 

                          07/2001.

 

37 - VEREDAS

 

Com meus pés tortos

Segui por caminhos

Também tortos.

Mas alinhei-me

Pelo reto prumo

De Deus.

 

08/2001.

 

38 - REJEIÇÃO

 

Mil pensamentos

A perseguir-me

E eu os persigo

Numa retaliação

De sondagem dos detalhes,

Decifrando-os.

Inquietação

Das ânsias.

Desprazer de viver

O designado

Estilo de vida

Que me fora

Reservado.

Rebeldes constatações

À vontade divina.

Profundo

Inconformismo

Na alma sedenta.

 

                    08/2001.

 

39 - CECÍLIA SEM INSTANTES

 

Não canto

Porque o instante

Não existe.

Por que o instante

Não existe

Choro.

Tanto interesse

Em vivenciar

Minhas inocentes

Historinhas de amor.

Mas tristemente descobri

Que do amor

Sequer tive instantes.

Não sou alegre;

Sou triste

E nem sou poeta.

Não sei se passo,

Talvez eu fique

Nessa canção

Que nada diz.

 

09/2001.

 

40 - AUTO ZOMBARIA

 

Não vejo a hora de ver

Esse dia passar.

Não vejo a hora de ver

Essa semana passar.

Não vejo a hora de ver, também,

Esse mês passar.

Melhor,

Não vejo a hora de ver

Esse ano passar. Diziam:

- E você, o que me diz?

Interroguei a que estava em silêncio.

- Positivamente?

Não vejo a hora de ver

Essa vida passar. Ironizou.

De forma deprimente.

Gargalhamos.

Tanto,

Que chegamos às lagrimas.

Não era cômico.

Era trágico!

 

09/2001.

 

41 - DERRADEIROS PASSOS

 

Caminho para a morte

Como quem caminha

Para a vida.

E o que há

Além da morte,

Senão a boa

Vida eterna

Que sempre cri?

 

09/2001.

 

44 - BLUE

 

Hipnoticamente

Nas ondas azuis

Dos olhos seus

Mergulhei.

A noite

Festejou.

Já não era

Tão noturna.

Lua cheia clareou.

Nadei na profundeza

Do azul dos olhos seus,

Temendo ser expelida

Por uma lágrima

Sua.

 

11/2001.

 

45 - CONTO DE NATAL

 

Natal é para mim

O meu conto de fadas,

Dizia a menina pobre.

Apesar do encanto

Da fantasia,

Meu conto de fadas

E o trenó

Sempre viram abóbora

No dia primeiro de janeiro

Do ano seguinte.

Ficando vivo na memória

Só o latir dos cães

Vira-latas de meu bairro

Periférico

Que me chamam

À realidade.

 

                   12/2001.

 

46 - BALZAQUIANA

 

Beijei muitos príncipes.

Agora que o tempo passou,

Nenhum sapo me rodeia.

 

                                    01/2002.

 

47 - O LAMENTO DAS PERDAS

 

Podia ter feito mais,

Não o fiz por temor a Deus.

Conscienciosa. Mérito meu.

Podia ter feito mais,

Não o fiz.

A intervenção de Deus

Chegou a tempo.

Livrou-me (graças!).

Na verdade

Nunca foi mérito meu.

 

                        02/2002.

 

48 - POEMA DO ARREPENDIMENTO

 

Primeiro descobri

Que não queria

Ter vindo à vida.

Como se não bastasse

Descobri que falhei

Durante toda minha

Renegada vida.

Vida, vida, vida...

Se dez vidas tivesse

Por dez vidas arrepender-me-ia.

 

                                       02/2002.

 

49 - INCOMPREENSÃO

 

Sentei-me no topo

De minha consciência conturbada,

Contemplei o mundo e chorei.

Que mundo cão!

A vida pareceu-me interminável.

Cansei-me mais ainda.

A que vim meu Deus?

 

A que vim?!

 

                   02/2002.

 

50 - GABRIEL                  

 

Na alma aflita,

Marca indelével.

No coração

Mais que uma letra escarlate.

É tal qual um brasão

Representante dos Buendias

Nesses “cem anos de solidão”.

 

                          02/2002.

 

51 - BREVIDADE

 

A vida é uma cena,

O mundo é o palco.

Somos personagens

De nosso próprio roteiro,

Mas quem nos dirige mesmo,

É Deus!

 

O palco, por vezes, é triste.

A personagem é sombria.

O Diretor parece ausente

E a nada conduz.

Encerrando o único ato

Baixam-se as cortinas

Ela despede-se

E sai de cena no mundo.

 

                        04/2002.

 

52 - PROVAÇÃO

 

À margem do caminho

Deixei-me cair ferido.

Durou uma eternidade

A espera do bom Samaritano.

Só Ele para curar

Com unguento minhas feridas.

Recobrando um pouco as forças

Parei na estrada de Jericó

E clamei:

- Jesus, filho de Davi,

Tem misericórdia de mim!

No poço de Betesda aguardei.

Trinta e oito longos anos!

Nenhum anjo apareceu

Para mover as águas.

À sombra do zimbro

Assentei-me e chorei:

- Basta, Senhor!

Toma agora a minha vida.

 

                      05/2002.

 

53 - ILUSÃO

 

Já nem absorvo a ilusão

Que me atiram

Gentis pessoas,

Quando afirmam

Que não pareço ter

A idade que tenho.

Sei que o tempo

Marcou-me.

Se não o veem por fora,

Eu bem o sei

Por dentro.

Nasceu minha alma

Pesando cem anos.

 

                      10/2002.

 

54 - ENCONTRO DIVINO

 

- Então, filha minha, o que se há de fazer

Por você? Quais são suas razões?

- Senhor, existe algum “artigo”, “parágrafo”

Ou “cláusula” que possa me safar?

- Sim. Apele para três: o amor, o perdão

E a misericórdia divina.

 

                              11/2002.

 

55 - NOTURNA

 

É noite no meu ser.

Pudesse eu ver meu dia

Clarear agora...

Sequer estrelas cintilam.

Poderá não resplandecer

O sol amanha.

Faz frio no meu ser.

Encolho-me em busca

Do abraço de aquecimento

Que esmoreceu.

É noite no meu ser.

 

                       01/2003.

 

56 - VOO INÚTIL

 

Andorinha,

Andorinha,

O tempo passa,

A vida voa...

Mas você,

Você continua

À toa...

 

                   01/2004.

 

57 - INFERIORIDADE ESPIRITUAL

 

Na tua Palavra.

Senhor, com humildade,

Há quem diga:

“Sou o menor

Na casa de Israel”.

E eu, Senhor,

Que nem à casa

De Israel pertenço

Senão por adoção?

 

                  01/2004.

 

58 - ROMANCE DA VIDA

 

Em apenas “Cinco Minutos”

Tornei-me uma “Senhora” personagem.

Melhor que ser “A viuvinha”.

Que saudades de quando eu era “A Moreninha”...

 

                                     09/2004.

 

59 - CORAÇÃO MÍOPE   

 

O coração de uns

É plebeu boêmio.

Promíscuo, por vezes.

Apaixona-se por vis criaturas

E tenta convencer a razão

Ter encontrado sua cara metade.

 

A razão é dama aristocrática,

Nunca se deixa cegar

Por sentimentos

Que o coração, nem um pouco nobre,

Tenta enviar-lhe

Embalados num falso rótulo.

 

                           11/2004.

 

60 - DESCOMPASSO

 

Isso lá são horas

Para se escrever poesia?

Isso lá são Eras

De se querer poesia?

- Olha a tecnologia...

 

                    06/2005.

 

61 - QUEIXA INDEVIDA

 

Nos momentos de extremo desespero

Deus escrevia,

Com lentidão de perfeccionista,

Segundo minha enganosa percepção,

Os capítulos iniciais

De uma nova história minha.

 

                             06/2005.

 

62 - DITADURA DA BELEZA

 

Ô mulher bela da revista!

Sem defeito me espia.

Faz-me lembrar

De todos os meus,

Sem abrir a boca.

Como a parafrasear o poeta, parece falar:

- Ei, dona feia, beleza é fundamental!

Nem desculpa pede,

A impiedosa.

 

                           11/2004.

 

63 - ARREPENDIMENTO

 

Sabe qual vida era boa?

Lá no Éden.

Éramos tão puros

A terra frutificava em abundância.

Não havia dores,

Conflitos,

Nem lágrimas.

No final do dia podíamos até

A suave voz de Deus ouvir.

Mas nós mudamos de vida.

Descontentamento.

Maldita serpente,

Maldita fraqueza humana.

 

                      07/2005.

 

64 - SENTIMENTOS

 

O conhecimento é filho da sabedoria.

O orgulho é pai da soberba.

A tolice é prima da ignorância.

A arrogância é irmã da prepotência.

O ódio é inimigo do amor.

 

Seja amigo do conhecimento,

Pois ele é filho da sabedoria.

Não namore a soberba,

Ela tem um pai terrível.

Não seja tolo, fuja da prima ignorante

Que lhe vem ao encontro.

Não queira nada com as irmãs

Arrogância e prepotência,

Elas vivem de nariz empinado.

Nessa guerra

Jamais se alie ao ódio.

Ele nunca vencerá o amor!

 

                          07/2005.

 

65 - MOÇORÓ

 

Mossoró,

Noventa por cento

De sal nas almas.

Vidas salobras.

Cloreto de sódio

Petrificado nas calçadas.

Minha cidadezinha,

...só aqui eu sinto

Que são meus

Os sonhos que sonhei

Noutras idades!”*

 

Bebo em sua boca,

Mossoró,

A água salobra

De todo dia.

Em seus poços mergulho

E me aquento.

 

Mas você esqueceu-me...

Tanto...

Que nem meu retrato

Na sua parede deixou.

Como dói!

______________________________________

*Florbela Espanca                                                             

                                    12/2005.

 

66 - DECLARAÇÃO DIVINA

 

Diga-me,

Senhor Deus,

Com aquele costumeiro

Consolo dado aos fracassados,

Em que salgueiro

Pendurei a minha harpa?

 

Meu coração

Quer outra vez

Cantar.

 

                      05/2006.

 

67 - POEMA BOBO DA MORTE REPENTINA.

 

Ela era tão introspectiva,

Mas tão introspectiva...

Um dia fechou os olhos.

Foi para dentro

De si mesma.

Não voltou.

 

                11/2006.

 

68 - LOUCOS MOMENTOS

 

Contemplo a vida minha

Por trás de um “oceano lacrimal”

Que me embaçam as vistas.

Nem consigo ler

A vida que no papel deito.

A vida em desordem

Desequilibra a boca.

Razão míope,

Emoção extrapolada,

Ofensivos impropérios liberados.

Alma ferida,

Coração pequeno.

Estreitado.

 

             03/2007.

                                          

69 - AGONIA

 

A poesia de hoje

Agoniza,

Quase sem vida.

Geme,

Contorce-se

E grita.

Em uma U.T.I

Esquecida foi.

A maioria de seus

Admiradores do passado

Já não lhe presta

Solidariedade.

Tão pouco

Presta-lhe honrarias.

Os de hoje

Não conhecem

Seu histórico.

Não desfrutou

De suas glórias.

Por um pequeno

Vidro

São poucos os que

Acompanham-na

Nessa dor.

Poucos amigos

Desconhecidos,

Tentam ressuscita-la.

Só os muito íntimos

Acompanham seus últimos

........................Suspiros..........

Os sinais de vida

São débeis.

Alguns parentes próximos

Seguem seus últimos

Instantes:

O soneto, o cordel, a ode...

Ela contempla

Uma um

E sente saudades

Dos tempos idos.

Alegres tardes

Em coretos,

Toda prosa.

Na boca dos moços

Que dela se utilizavam

No encontro com as damas.

Ela tinha nome

E sobrenome.

Era um lindo astro

Bem estudado.

Sabiam toda sua

Carga mendeliana.

Seu genoma lírico

Bem decifrado.

Desfilou majestosa

Em grandes saraus.

Passeou

Entre reis e rainhas,

Enterneceu donzelas.

Esculpida na pedra parnasiana

E clássica.

Futuristicamente

A musa moderna

Transcendeu,

Voou em versos livres.

Psicografaram sua alma.

Hoje ela é mais uma teoria,

Com possibilidade

De ser encontrada

No ocaso indefinido

E em canções,

Não por todos apreciadas.

Na prática

Ela não sai do papel

Recusando-se morrer.

Enquanto houver flores,

Enquanto houver dores,

Enquanto houver amanheceres.

 

                            03/2007.

 

70 - SENZALA

 

De nada seja

Escravo.

Em consequência

A vida o colocará

No tronco.

 

               05/2007.

 

71 - POEMA DIVINO

 

Canta!

Ordenou-me Deus.

Se você canta,

Eu canto contigo

E se eu canto contigo

Quem o poderá

Vencê-lo?

Quem?!

 

              06/2007.

 

72 - SOL NASCENTE DAS PALAVRAS      

                     Olimpíada de Língua Portuguesa. Hotel Dorisol, Jaboatão, Recife.

Poesia...

Codinome? Dor.

Bolinamos daqui

D’acolá,

Seu nome é amor.

Um poema pueril,

Ainda engatinhando,

Tomou-me pela mão

Trouxe-me ao “Dorisol”.

Dores poucas,

Alegrias tantas!

Não saí do borralho

Tomei uma carruagem

Metálica voadora,

Para aqui falar de dor.

Falo de sol,

Falo de amor.

À noite a brisa

Marítima assopra-me.

Sussurra-me segredos

Indizíveis, ilusórios.

Um homem no meio da noite

Vaga só à beira mar,

Acaso me ver da janela,

Do vigésimo andar, por onde o espreito?

Eu o sei solitário.

Ele me tem por abastada.

Nada lhe digo

Da madrasta realidade.

 

                       11/2008.

 

73 - CRUZADAS

 

Meus pecados

São soldados

Medievais

Que me atiram

Lanças.

                 

                11/2008.

 

74 - SACRIFÍCIO

 

Senhor,

Deveria eu

Dar-te

Meu sangue.

No entanto,

Deste-me

O teu.

Para a mim

Expurgar.

 

               11/2008.

 

75 - ATITUDE

 

O pecado oxida

A alma.

É cortisol no espírito.

 

                   12/2008.

 

76 - INDEFINIÇÃO

 

Não sei

Quem sou.

E dizem que sou tanto...

Ou nada...

Encontro-me

Entre o sub

E o sobre.

 

                 03/2009.

 

77 - VERSOS ALHEIOS

 

Extasia-me

Pérolas alheias.

Tal poesia

Inunda minh’alma

E aponta minhas

Apagadas centelhas,

Minhas reles parições.

 

                  08/2009.

 

78 - ALMA OCIOSA

 

Perdi-me

No labirinto

Das coisas.

Incabíveis induções.

Deixem-me em paz!

Não tenho querer

Algum.

 

              08/2009.

 

79 - CATARSE

 

Tenho chorado

Mais do que possa

Absorver as secas terras

De meu coração.

Alma convulsionada

No pranto

Raivoso,

Vergonhoso,

Da fragilidade emocional,

Aparentemente inútil,

No solavanco do espírito.

 

                   12/2009.

 

80 - DISPERSA

 

Não quero ler.

Não quero me informar.

Não quero me conectar.

Não quero viver!

Não quero morrer...

Arre!

Quero só me achar.

 

                 03/2010.

 

81 - MUTISMO

 

O bom entendedor

Compreende

As falas

Do silêncio.

 

           04/2010.

 

82 - INDECIFRÁVEL SENTIMENTO

 

Indecifrável

Sentimento

Das incertezas

Que toda a minha

Vida norteou.

Invisível bússola

Que o caminho

Aos meus olhos

Não mostrou.

Olhos

Irrequietos,

O porto seguro

D’além mar buscou.

 

                  06/2010.

 

83 - ORFANDADE

                À Laura Batista, mãe querida.

Pastora de rebanho filial.

Seu bastão conduzia

As desalentadas ovelhinhas

De seu rebanho.

A uma impunha-lhe o cajado,

Impedindo ultrapassagem

Às perigosas pastagens.

Um leve toque,

A cabeça de outra erguia

Para além-horizonte.

Partiu a guardadora de rebanhos.

Foi pastorear

Na campina celestial.

Deitou em campo funesto

Apetrechos de ovelha líder.

Sequer olhou para trás,

Ante novos prados tão convidativos.

Tivesse-o feito,

Ver-me-ia,

A mais desprotegida dos cordeirinhos,

Clamando esse desmame perene.

Tenho coração de luto enegrecido.

Tão pequena era eu,

Nada sabia falar.

Tanto não fora dito!

Veloz correu o tempo,

Nem o vi passar.

É imperativo traçar novo rumo,

Descobrir novas planícies.

Tem missão mais elevada,

A transcendente,

Pelo Sumo Pastor

Convocada.

 

                  07/2010.

 

84 - OVELHA FAFÁ

                   À minha querida e amada ex-cunhada, em dias muitíssimos difíceis.

Tosquiada

Foi a ovelha.

Tosquia “mielogramada”,

“Mielodisplásica”

Nos excessos de Blastos.

Ovelha ferida!

Marcada a sangue: “JC”.

Mesmo em sangria

Não abriu a boca.

Não tosquenejará

O Pastor

Que lhe aguarda.

Dó-ré-mi-fá...

Fafá...

Triste dó.

Fim de uma canção terrena;

Início de uma sinfonia celestial.

 

                          08/2010.

 

85 - RENOVADAS ESPERANÇAS

                 A Nilson Silva, meu irmão viúvo.

Impreenchível

Lacuna                                                             

Das solidões...

“Moisés está morto”!

Josué, levante-se!

“José vivo está, Jacó!”

Reprima as lágrimas e o choro

Do seu luto.

 

                12/2010.

 

86 - SINE QUA NON

 

Ante a bifurcação

Da vida

Escolhi

A estreitura

Do caminho

E carreguei apequena

E suave cruz

Que me fora proposta.

Devo levantar-me

E ir ao encontro

Da Vida

Que me espera.

 

                05/2011.

 

87 - VILANIA

 

Muitos

Fazem

Da vida

Um teatro.

Vestem-se

De Diabo

E tornam

A existência

De outrem

Um inferno!

Ainda se julgam

Personagens

Inocentes.

 

                01/2012.

 

88 - MADRE

          À minha mãe querida, in memoriam.

Laura leve.

levítica,

livre, lírica.                                            

loura,

lúdica.

 

Laureou-se

Minha doce e amada

Lara.

 

            01/2012.

 

89 - INVEJA

 

Há pessoas

Que deixam

Pegadas

No caminho

Da vida.

Há pessoas

Cujo único objetivo,

Aparente,

É apagar

Pegadas

De outrem.

 

              06/2012.

 

90 - ELEGIA, LAURA

              Por ocasião do casamento de Thaís, minha sobrinha.

 

Viva vovó!

Mas vovó

Voou...

Vem vovó,

Não vá...

Volta!

Não mais

Viva está

A minha vovó.

 

              10/2012.

 

91 - FIRMEZA ESPIRITUAL

 

Determinação,

Persistência,

Perseverança.

São todos filhos da fé.

 

                  10/2012.

 

92 - PRESENÇA DE DEUS

 

O vento

É o carinho

De Deus

Em suas crias.

Enviado

Dos seus

Tesouros.

 

          11/2012.

 

93 - PARÁFRASE DE SUPERIORIDADE

 

Deus

É meu sentido

Para a vida,

O destino para a minha alma

E o repouso para meu espírito.

 

                         12/2012.

 

94 - INCOMPATIBILIDADE BIOLÓGICA

 

Eu e o viver

Nunca nos demos

Muito bem.

Estou sentada

Na esquina

Do tempo

Enquanto a vida

Por mim passa.

 

Em versos,

Em trovas.

Em sonhos.

 

Eu e meu bem

Adentramos

A Avenida Viver,

Sentamo-nos

Na praça da vida

Aguardando o tempo

Que voa.

 

              04/2013.

 

95 - IMPOSIÇÃO

 

Em uma discussão

Não importa

Quem tem razão.

Importa agir

Como Deus espera.

Enquanto

Perdemos terreno

Diante de Deus,

Por termos razão,

Satanás ganha espaço

Na lacuna

Do ódio.

 

               09/2013.

 

96 - BIOGRAFIA

 

A vida é um livro

No qual

Você é o próprio

Autor,

E o historia

Diariamente.

Não há como

Modificar capítulos anteriores,

Passados.

Pode-se, no máximo,

Reescrevê-los

E apresentá-los

Nas páginas seguintes.

 

                 09/2013.

 

97 - GRAMÁTICA ESPIRITUAL

 

Deus é um verbo,

Não um mero substantivo.

Será sempre

Um adjetivo superlativo

Absoluto eterno.

 

                   09/2013.

 

98 - MÁRIO DE SÁ CARNEIRO

 

A vida para alguns

É um verdadeiro labirinto.

Não é difícil perder-se.

Não se deve julgar

Esses “perdidos”.

O ideal é sermos

A seta que lhes mostra

O rumo.

 

             12/2013.

 

99 - DOMÍNIO “IMPRÓPRIO”

 

A raiva em mim

É um bicho amordaçado,

Que estrebucha

Tanto quanto abomino.

 

                    10/2014.

 

100 – ORAÇÃO

 

Preencha-me, Senhor,

Pois encontro-me vazia.

Derrama sobre mim a chuva

Da unção, a chuva serôdia,

Pois sou terra seca.

Habite em mim

O teu Santo Espírito,

Uma vez que deserto sou.

Meus argumentos,

Minhas razões,

Serão sempre

A tua misericórdia.

Meu intercessor é teu Espírito Santo.

Minhas testemunhas são minhas lágrimas,

Meu advogado é teu filho Jesus.

O sangue dEle me purifica

De toda acusação.

 

                05/2014.

 

101 – TRANSFORMAÇÃO

 

A chuva divina

Lava a Terra.

A enxurrada expulsa

Detritos.

A Terra úmida

E limpa

Exala o gostoso

Perfume de Deus.

 

             09/2014.

 

102 - MARANATA

 

Vivamos

Como se Jesus

Tivesse nascido

Antes de ontem,

Ressuscitado ontem

E poderá voltar hoje.

A qualquer momento...

 

                    12/2014.

 

103 - VENENO CARNAL

 

Algumas de nossas vontades

São verdadeiros dragões,

Os quais devemos mata-los.

 

                      10/2014.

 

104 - DE DEUS NÃO SE ZOMBA

 

Os zombadores de Deus

São hienas risíveis.

Sofrerão suas penas.

 

                 01/2015.

 

105 - LIÇÃO DA VIDA

 

A vida é a escola,

O aluno é você próprio.

É qualquer um.

A dor é a mestra.

Bom mesmo é sermos autodidatas.

 

                    03/2015.

 

106 - TÃO SOMENTE UMA LEMBRANÇA

                                                   A J.P.

João é vento Sul:

Aragano.

João é vento Norte:

El Niño de mi corazón.”

João foi palavra  central

Que correu veloz.

João é poesia viva

Na boca do poeta morto.

João foi devorado pelo tempo

Mas deixou sabor

Na boca do senhor “chronos”.

 

                          07/2015.

 

07 – VIDAS DO AVESSO

 

Pelo avesso,

No avesso das coisas.

Almas avessadas,

Entrelaçadas,

Contristadas.

No desavesso

Almejado.

 

             09/2015.

 

108 - INVERDADES NOTURNAS

 

Não acredito

Nos elogios

Que são

Atirados,

A mim,

À noite.

À noite,

Toda gata

É parda.

 

         10/2015

 

109 - INQUIETUDES DA ALMA

 

As dores

De meu ser

São quilométricas.

Tenho esperança

Que atinja os céus,

Só assim serão amenizadas.

 

                     02/2016.

 

110 – FERNANDO PESSOA

 

Oh, a vida...

Quanto do meu viver

São águas salobras.

Lagrimas que não correm

Para o mar.

O poeta já o transbordou.

 

                 11/2016.

 

111 - DESENGANO

 

Perdi-me na escuridão

Por que não era vaga-lume.

 

Perdi meus sonhos.

Na demora do voo do tempo

Cortaram-me as asas.

 

                    04/2017.

 

112 - DESGOSTO

 

Eu sou Ana,

Senhor.

E Penina

É o opróbrio

Da vida

Que em mim instalou-se.

 

                    06/2018.

 

113 - DIFUSO

 

Minha mente

Coberta de cinzas.

Meu coração brasa.

Sopra vento norte;

Vem vento sul.

Não se apagará o pavio

Que fumega”. *

_________________________________________

* Trecho bíblico

 

                              09/2018.

 

114 - VALOR INCALCULÁVEL

 

Que valor

Tenho eu

Senhor?

Bem sei...

Eu tenho

O valor

De seu sangue

Na cruz.

 

          10/2018.

 

115 - IMPRESCINDÍVEL

 

Adianta

Eu ser reconhecida

Pelos homens

Se Jesus não me reconhece?

 

Vale à pena

Eu crescer perante

Os homens

Se perante o Senhor

Sou diminuída,

Se Deus me faz menor

Do que o “bichinho de Jacó”?

 

Importa

Meu pai e minha mãe

Acolherem-me

Se o Senhor me desamparar?

 

Combina ser rica 

Se interiormente

Sou um espírito pobre?

 

Convém

Estar cercada de amigos

Se não tenho a amizade de Cristo?

 

Adianta

Estar de pé

Ante a humanidade

Se meu Senhor não me levantar?

 

                      10/2018.

 

116 – ÁRIDA

 

No silêncio de minha mente

Havia um diálogo entre mim

E eu mesma. 

Àquele nó na garganta pedia:

Senhor,

Faz-me chorar à tua presença.

Dá-me lágrimas senão morro!

Para aliviar essa angústia.

 

                  10/2018.

 

117 – REDOMA

 

Uma burca

Que nada

Deixa à mostra?

Setenta anos

De clausura?

O pecado está dentro

De cada um.

Inerente.

Também expresso nos olhos de quem vê,

Ainda que não haja deliberada sedução.

Penitência,

Autoflagelo,

Não o expulsa.

Só o sangue de Jesus

Purifica-nos.

Redime-nos.

Nos liberta. 

 

              10/2018.

 

* * *