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16 - A Bíblia
16 - A Bíblia

16 - A Bíblia

Vejamos, também, esse vocábulo citado por Paulo Coelho:

Paulo Coelho em sua narrativa, As Valkírias, quando ele e a esposa foram explorar o deserto, diz o seguinte: “Cada um colocou na cintura seu cantil com água. Paulo colocou cigarros e uma Bíblia...” (p. 54). Para alguém que está conhecendo a Bíblia há pouco tempo, pode até ser tolerável essa junção, mas para alguém que quer passar a imagem de “apegado a Bíblia”, por nela conter a Verdade de Deus, essa junção, da Bíblia com algo vicioso, é impraticável: “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, o há de dedicar-se a um e desprezar o outro” (Lucas 16.13).

A Palavra de Deus nos alerta para a inclinação de algo que exerce uma força maior do que o ensino bíblico, nesse caso o vício de Paulo Coelho ao cigarro. Se nos dedicamos à Palavra com fé e com esforço, encontraremos nela apoio para nos livrarmos daquilo que a própria Palavra condena. Quando a Palavra diz “servir a dois senhores” é por que são duas forças que se opõem. Para qual dela vamos nos inclinar mais? Ou se vive pela Bíblia ou se escolhe viver à margem dela: “Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gálatas 5.16,17).

Daniel foi um profeta perseguido, aquele, jogado entre os leões famintos. Os invejosos da corte procuravam defeitos nele, mas a Bíblia diz sobre ele: “Os presidentes e os sátrapas (governantes da época) procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino, mas não podiam achar ocasião ou falta alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício, nem culpa” (Daniel 6.4). Nesse caso vício de costumes, atitudes.

A Bíblia é nossa bússola espiritual. É o que nos norteia, é o que direciona nosso espírito por meio do conhecimento da Verdade. A Bíblia aponta para cada um o caminho da salvação.

A Bíblia não é apenas um livro só, mas uma coleção. Esses livros são considerados sagrados. Escritos por simples homens, porém, sob a inspiração divina.

A Bíblia nos mostra dois caminhos, para o céu e para o inferno, nos fala a respeito do Salvador Jesus Cristo, traz esclarecimento a respeito de dois destinos, salvação e perdição, e fala, ainda, a respeito de três lugares, céu, inferno e terra.

Cerca de quarenta escritores compuseram a Bíblia, em um período de quase 1600 anos. Homens que pertenciam a variadas profissões e atividades escreveram e residiram distante uns dos outros, em épocas e nível intelectual diferentes, porém com um mesmo intento e unidade, pois eram inspirados pelo Espírito Santo (“Porque a profecia (Palavra) nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.21– É o que nos informa o apóstolo Pedro).

As línguas utilizadas foram o hebraico e o aramaico para o Antigo Testamento (AT) e o grego para o Novo Testamento (NT).

A Palavra de Deus, ou seja, seus preceitos e história de vida de seus servos eram transmitidos, a princípio, oralmente. Sete homens divulgaram a Palavra falada. Deus falou a Adão; Adão transmitiu a Lameque e chegou a Noé, Abraão, Jacó, Coate, Anrão e Moisés, até que Deus deu a ordem para Moisés escrevê-la em formato de livro.

Os materiais empregados na escrita foram o papiro (tipo de planta com folhas grandes apropriadas para a escrita) e pergaminho (pele de animal curtida).

Em 1450, após a invenção da imprensa, Johann Gutenberg, imprimiu a primeira Bíblia em latim, foi também o primeiro livro a inaugurar a imprensa na história.

Como se sabe a Bíblia é dividido em duas partes: Antigo Testamento e Novo Testamento. Na Bíblia evangélica contém 39 livros no AT, e 27 livros no NT, com um total de 66 livros, com base na divisão da Septuaginta.

Em termos de tradução temos a Septuaginta, que foi a primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, e a Vulgata, tradução do grego para o latim.

Vários foram os tradutores que se empenharam nessa tarefa, mas a Bíblia não fora traduzida de uma só vez, isso se deu, geralmente, em partes. Apesar do empenho de alguns, a Bíblia nunca deixou de ser perseguida e muitas traduções foram confiscadas e queimadas. Para nossa língua portuguesa quem ganhou destaque foi o padre João Ferreira de Almeida, que começou traduzindo o Novo Testamento para a língua lusitana.

Em 1819, após a morte de João Ferreira de Almeida, a Bíblia foi publicada em um só volume pela primeira vez por meio de empenho de cooperadores dedicados. Segundo John Mein, autor de “A Bíblia e como chegou até nós”, conta-se que João Ferreira não era padre, mas um pregador do evangelho que se convertera por meio de um folheto espanhol, passando a congregar na igreja Reformada Holandesa, e que missionários holandeses se intitulavam a si próprios como padres dominicanos, mas não tinham ligação com a ordem católica. Ferreira foi casado e pai de dois filhos. Faleceu em 1691. Anos mais tarde a Bíblia passaria por revisões aonde se chegou à ARA, “Almeida Revista e Ampliada”, muito divulgada em nossos dias.

Não foi fácil a Bíblia chegar ao Brasil, pois a coroa portuguesa estabeleceu uma lista de livros autorizados e não autorizados. A Bíblia era proibida e negligenciada.

* A proibição da Bíblia aos leigos e sua inclusão na lista de livros proibidos foi decidido pelo clero católico no Concílio de Valença em 1287.

Em 1879, no Rio de Janeiro, foi editado o Novo Testamento publicado pela “Sociedade de Literatura Religiosa”. A Bíblia inteira foi concluída em 1917, “A Bíblia da Edição Brasileira”, que deixou de ser reeditada para dar lugar à edição de Almeida, mais popular, e por isso mais aceita.

Com a ajuda das Sociedades Britânicas e Americanas as publicações se ampliaram, mas em pequena escala. Em 1948 foi fundada a “Sociedade Bíblica do Brasil”, contribuindo com a expansão das Escrituras de forma acelerada em nosso país.

A Bíblia católica contém 07 livros a mais, acréscimo este decidido no Concílio de Trento (1545-1563), porém nunca foram reconhecidos como Escrituras Sagradas, como sendo canônicos, pelos judeus. Entre os livros canônicos existem um entrelace, um autor cita o outro. Exemplo:

- Livro de Êxodo (AT)

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Êxodo 20.12).

- Livro de Marcos (NT)

“Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá...” (Marcos 7.10-13).

- Livro de Isaías (AT)

“Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e entenda com o coração, e se converta, e seja sarado” (Isaías 6.9,10).

- Livro de Atos (NT)

“E estando discordes entre si, retiraram-se, havendo Paulo dito esta palavra: Bem falou o Espírito Santo aos vossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: Vai a este povo e dize: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração nem se convertam e eu os cure” (Atos 28.25-27).

- Livro de Isaías (AT)

“... assim ele (Jesus) espantará muitas nações; por causa dele reis taparão a boca; pois verão aquilo que não se lhes havia anunciado, e entenderão aquilo que não tinham ouvido" (Isaías 52.15).

- Livro de Romanos (NT)

“...como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão” (Romanos 15.21).

- Livro de Habacuque (AT)

“Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá” (Habacuque 2.4).

- Livro de Romanos (NT)

“Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Romanos 1.17).

Esse entrelace nunca ocorreu entre os livros não canônicos, os acrescidos denominados apócrifos. Ademais nunca foram citados por Jesus ou pelos Apóstolos como inspirados.

A Igreja Primitiva e os Pais da Igreja do primeiro século nunca reconheceram canonicidade neles, dizem os estudiosos. Como se tais argumentos de rejeição fossem poucos esses livros trazem opiniões divergentes da canônica, da divina, além de contradições. Exemplo:

Morremos para sempre?

- Versão apócrifa (na Bíblia católica)

... Tu (Senhor) reinas para sempre, e nós morremos para sempre” (Baruc 3.3).

- Versão canônica (na Bíblia evangélica)

“Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos... Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus” (Romanos 6.8)

Não há morte eterna, para sempre, quando se vive para Deus, afastado do pecado.

- A versão apócrifa ensina oração pelos mortos

“... porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados” (II Macabeus 12.43-46).

- Versão canônica

“... os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles recompensa... ...nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9.5,6).

Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a salvação eterna. Não existe meio de mudar o destino de alguém após a sua morte. 

“Não sabem coisa alguma”. Já pensou se soubessem?! Eles iam viver assim: “Olha lá, Senhor, que caminho (que atitude), ele (ou ela) está tomando?! Isso não vai dar certo... E olha com quem ela está andando... Essa pessoa é má...! Veja, ele está bebendo muito! Está se drogando!” Ou seja, não teriam paz.

O texto canônico é claro e contradiz a versão apócrifa, quando afirma que os mortos não terão “recompensas”, ou seja, por meio dos atos dos viventes, de seus parentes e amigos “debaixo do sol”. Portanto, de nada adianta o acendimento de vela, a missa, o culto, as rezas, orações, etc. Pois não têm eles consciência do sacrifício oferecido em prol deles, nem Deus recebe tal.

Nós evangélicos costumamos prestar solidariedade aos familiares, em o falecido sendo crente, evangélico, relembramos sua postura, enquanto viveu, cantamos suas músicas favoritas, às vezes o tal morto, em vida, até expressa a forma como gostaria de ser homenageado. Mas é só. Temos plena consciência de que o morto nada sabe do que fazemos, e nada poderá mudar sua situação perante Deus, se estiver perdido. Nem tão pouco o próprio terá mais oportunidade de se redimir perante Deus.

É proibida qualquer oferta, seja do que for, ou sacrifício aos mortos. Eles teriam que ter colocado a vida deles em ordem antes de morrer: “Por aquele tempo Ezequias ficou doente, à morte. O profeta Isaías, filho de Amoz, veio ter com ele, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa porque morrerás, e não viverás” (II Reis 20.1). Essa casa, tanto pode ser no conotativo, como denotativo. Se a pessoa coordena grandes empreendimentos, ou por que sua família precisa saber dos pormenores da pessoa que irá morrer, porém, acima de tudo, essa casa é o seu espírito, é o seu interior.

A Bíblia afirma que somos “templos de morada do Espírito Santo (I Coríntios 6.19)”. Portanto, só nós, e com consciência, podemos por em ordem o que está errado conosco, e em vida. Constatemos:

 “... os que descem para a cova não podem esperar na tua verdade” (Isaías 38.18).

Não tem mais o que esperar de Deus, seja perdão, recompensa, compreensão, esperança. A única coisa que virá até esse morto é sua sentença: salvação ou perdição.

Nenhum deles de modo algum pode remir (libertar da condenação) a seu irmão, nem por ele dar um resgate (libertar mediante alguma oferta) a Deus, (pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não dariam)...” (Salmo 49.7,8).

Olha quão taxativo é esse texto: ninguém pode “remir” seu irmão, ou seja, ABSOLVER, estando ele no purgatório, caso existisse, ou no inferno; nem por ele pode dar “resgate”, um “pagamento”, um “benefício”, para que o inferno o libere. Não adianta fazer mais nada.

“Este (Jesus) nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele (Jesus) é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. A ele todos os profetas dão testemunho de que todo o que nele crê receberá a remissão dos pecados pelo seu nome”. (Atos 10.42,43).

Olha a prova de que tudo é acertado em vida: ao que crer. Primeiro se conhece a Palavra que foi pregada, inclusive, pregação ordenada pelo próprio Jesus; depois, é preciso crer que esse Jesus expia nossos pecados por meio de seu sangue, quando o aceitamos e o recebemos, quando passamos a viver segundo suas ordenanças.

- Histórias fictícias, lendárias e absurdas no livro apócrifo de Tobias

“Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a  lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À  sua  vista,  Tobias,  espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim.  E  o  anjo disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o  começou  palpitar a seus pés” (Tobias 6.1-4).

- Aconselha atos torpes

“Através de minha língua sedutora... concede-me falar com sedução...” (Judite 9.10,13).

- Ensina artes mágicas ou de feitiçaria como método de exorcismo

“Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão” (Tobias 6.5-9).

Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio. Deus jamais iria mandar um anjo seu ensinar como usar os métodos da bruxaria para expulsar demônios.

Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato, o Diabo não tem interesse nenhum em expelir demônios.

“Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos...? Mas, se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o reino de Deus” (Mateus 12.26-28).

Um dos sinais de poder entre os apóstolos era a expulsão de demônios, e a única coisa que tiveram que usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18).

“E estes sinais acompanharão aos que crerem: Em meu nome (Jesus) expulsarão demônios...” (Marcos 16.17).

- Até os anjos repreendem o demônio em nome do Senhor

“Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda!” (Judas 1.9).

- Os livros apócrifos ensinam, ainda, que esmolas e boas obras limpam os pecados

“É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Eclesiástico 3.33).

“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Tobias 12.8, 9).

A Salvação por obras destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia canônica não deixa dúvidas quanto ao valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados:

“Mas Cristo... por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção... ...sem derramamento de sangue não há remissão (de pecados)” (Hebreus 9.11, 12, 22).

Que “derramamento de sangue” é esse? O sangue de Cristo derramado no Calvário. Não há derramamento de sangue por meio de boas obras, simplesmente.

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo... (I Pedro 1.18, 19).

Esses livros contradizem toda a Bíblia canônica. Esta declara que somente pela graça de Deus e o sangue de Cristo é que o homem pode alcançar justificação e completa redenção:

Ninguém será justificado diante dele(Deus) pelas obras da lei... sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue... Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (ou obras sociais - Romanos 3.20, 24, 24 e 29).

- Ensinam a existência de um lugar chamado PURGATÓRIO

* Em 503, surgiu a doutrina do purgatório. No ano de 590, Gregório, o Grande, põe-na em prática, e a mesma foi “aperfeiçoada” no Concílio de Trento (1563).

O Cânon sagrado não menciona o Purgatório, o culto no rito de missas, acendimento de velas, nem o “pelo sinal da santa cruz” efetuado na frente da face, o uso de terço, nem orações pelos mortos, etc. Esses atos foram estabelecidos por meio de Tradições e nos Concílios promovidos pela liderança eclesiástica católica, cada um com suas datas específicas.

Este ensino herético concebido pela Igreja Católica Romana sustenta que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma segunda chance de salvação. Nem mesmo a Bíblia católica trás o vocábulo Purgatório, e sim, “tormento”, onde se supõe, erroneamente, que nesse lugar as almas sofrerão tormentos como forma de purgar seus pecados até que sejam consideradas dignas de adentrarem os céus. O inferno em si é um lugar de tormento.

Veja os seguintes textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatório:

“Morrendo o ímpio (no pecado), perece a sua esperança; e a expectativa...” (probabilidade, chance - Provérbios 11.7).

“Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos; se perseveramos, com ele também reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará...” (II Timóteo 2.11,12).

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo...” (Hebreus 9.27)

Depois da morte “segue-se o juízo”, ou seja: se a pessoa estiver “quite” com Deus terá salvação; se não, terá a perdição, não há mais como fazer algo em seu favor, muito menos eles a outrem: “... os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma (do que se passa entre os vivos), nem tampouco têm eles daí em diante recompensa (ou seja, sua situação não é mudada pelos vivos); porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles, daí em diante, parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9.4-6).

- Nos livros apócrifos os anjos mentem

“E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas: De que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração” (Tobias 5.15-19).

Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a lei de Deus. Todos os anjos de Deus foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Nesse caso a origem do anjo era de uma família terrena e cita, inclusive, o nome do suposto pai. Os anjos só têm um pai: Deus. Veja como o anjo se apresenta para a mãe de Jesus:

“Ao que lhe respondeu (a Maria) o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te dar estas boas novas...” (Lucas 1.19).

A compreensão da Bíblia nem sempre se dá imediatamente, isso ocorre à medida que vamos amadurecendo espiritualmente, à medida que vamos frequentando a igreja, onde é dividido o conhecimento teológico o qual temos algumas limitações. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Davi, Salmo 119.105).

Quem não aceita a Palavra como ela é, está se baseando na “verdade de sua mente”, de seu entendimento, na obstinação de seu pensamento errado, que não lhe parece, mas é enganoso.

“Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração...” (Efésios 4.17,18).

“Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas. Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra” (Tito 1.15,16).

Nossa mente não deve “caducar”, moldar-se ao sistema mundano, não mais se espantando com o pecado, achando-o natural. Não deve adaptar-se à evolução desse mundanismo, que vem, sem nenhum temor, com suas regras sem fundamento na vontade de Deus, quebrando padrões espirituais.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2).

A “renovação de nossa mente” dar-se-á por meio de novo conhecimento, de cunho espiritual, e esse conhecimento é adquirido à medida que lemos a Bíblia e cedemos aos seus conceitos e rejeitamos os conceitos mundanos, recusamos nos acostumar a ele, ao sistema.

Inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento. Porque será coisa suave, se os guardares no teu peito, se estiverem todos eles prontos nos teus lábios. Para que a tua confiança esteja no Senhor... Porventura não te escrevi excelentes coisas acerca dos conselhos e do conhecimento...

Não removas os limites antigos que teus pais fixaram” (Provérbio 22.17-20,28).

Não é de admirar que para a maior parte dos temas, aqui abordados, a Bíblia tenha sempre algo a nos dizer? Isso torna esse livro extremamente extraordinário, incomum. É como se ela fosse um grande mapa de nossas atitudes, estendido no chão. Onde colocarmos nossos pés, seja qual for a direção, ela tem uma orientação a nos dar.

Leia a Bíblia, procure visitar algumas igrejas evangélicas, seja assíduo àquela onde encontrou compatibilidade, mas não espere perfeição dos membros. Seja fiel a Deus. Afaste-se do pecado. Estude a Palavra de Deus.

Eu me deparei com uma reportagem da revista SUPER interessante (Editora Abril/2008) que em sua capa interroga:

Quem escreveu a Bíblia? A religião diz que ela veio de Deus. Mas novas evidências revelam como os textos sagrados foram escritos – e manipulados – pelos homens”. Completa a revista em seu texto de capa. E mais:

“Durante 1000 anos, outras pessoas, além das que iniciaram a escrita bíblica, continuaram reescrevendo, rasurando e compilando o texto que viria a se tornar o maior best-seller de todos os tempos: A Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte - sem a Bíblia não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci - e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio”.

Reconhece o texto da revista.

Há um consenso ao admitirmos que Deus utilizou-se de meios humanos para que a revelação divina fosse propagada. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por meros seres humanos, contudo, guiados pelo Espírito Santo e escolhidos por Deus.

A revista não fala, e nem tem fé, da existência de um ser espiritual chamado Espírito Santo, cuidando para que o texto chegasse às mãos de alguns homens simples, para isso falava-lhes ao coração, à mente ou de viva voz, com a contribuição de fatos, cuidou para que esse livro atravessasse gerações. Homem nenhum “manipulou” a Bíblia Sagrada, digo, contudo, eles a reescreveram buscando sinônimos para que a compreensão se tornasse mais abrangente, tanto que se chegou à “Bíblia na Linguagem de Hoje”, para que fosse melhor compreendida.

Tomemos por base esse meu livreto. Eu escrevo e o reescrevo. A reescrita só traz progresso. Se eu o entregasse para que teólogos renomados o reescrevessem ele seria muito, mas muito bem reescrito, sem, contudo, perder a essência. Eu creio que assim foi feito em relação à Bíblia. Muitos a reescreveram guiados pelo maior dos Teólogos: o Espírito Santo. Nada Lhe escapou. Nem sobrou nem faltou. Reescrita no sentido de tradução e de sinonímia.

Havia muito que ser escrito, segundo nossa limitada visão, tanto que não caberia em livros, contudo, o Espírito Santo quis exatamente o que temos em mãos. É obvio que isso só cabe em mentes crédulas. “Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus...” (Romanos 1.17).

Há quem queira contradizê-la, quando levanta questões humanas, como a violência, supostos erros de alguns personagens. Para quem conhece a Bíblia e a aceita como sendo a Palavra de Deus, não se espanta. Mas não é Deus fantástico! Penso que Deus ponderou se é que seja possível essa conjectura: “Vejam do que vocês são capazes! EU não vou esconder nenhuma de suas fraquezas, de suas inclinações carnais. Sendo vocês tão vis, EU continuo indo atrás de cada um. É, porque não foram vocês, com vossas “bondades” que me escolheram. Eu os escolhi, mesmo sendo quem são. Sabe, eu tive um “filho” que matou o próprio irmão por inveja. Teve outro, a quem eu dei tudo: reinado, glórias, riquezas, e do que ele foi capaz? Tramou contra o seu fidelíssimo general, desejou a mulher dele e forjou a morte de seu chefe militar colocando-o na frente de batalha, sabendo que ele morreria. Cometeu adultério e assassinato. Vocês podem apontar várias atitudes más de certos personagens, vendo apenas seu lado mau. Mas sabe o que disse esse homem que pecou horrivelmente? Veja”:

“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos...

Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo...

Purifica-me com hissopo (planta de propriedade medicinal), e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.

Esconde o teu rosto dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniquidades.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável.

Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito.

Restitui-me a alegria da tua salvação (a que ponto chegou esse pecador)...

Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação...” (Salmo 51.1-16).

E a Palavra nos lembra ainda:

“Porque eu (Jesus) não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento” (Mateus 9.13).

Deus não ia permitir, mas esses autores poderiam tentar não publicar suas fraquezas, defeitos e pecados horríveis. Porém, eles foram sinceros, honestos. Mostrando quem era e como Deus os perdoou e os transformou.

Muitas vezes só vemos as más atitudes, a queda de um ser humano, seja ele pastor, padre ou um simples crente, e não vemos o quanto a alma dele se contorceu em dores diante de Deus, cheia de arrependimento e vergonha, buscando perdão, pelo menos por parte de alguns, quando o arrependimento é sincero, como se deu com Davi, referido no salmo 51, e Deus o perdoou. Respondeu-lhe o Senhor: ...terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer”. Êxodo 33.19. Ou seja: Deus faz como lhe apraz, como quer, com quem quiser da forma que quiser e não nos deve satisfação. Por isso a Bíblia “nos” retrata como realmente somos. Só o sangue de Cristo pode nos purificar de todas as maldades.

E não pense que, para Davi, ficou apenas no perdão. Por causa dessa terrível transgressão ele pagou um preço alto chamado “consequência do pecado”. Ao praticar esse erro, Davi desprezou a Palavra de Deus (“Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos”? II Samuel 12.9), que era rigorosamente ensinada ao povo judeu. Ele não poderia ficar impune, até por que seria um mau exemplo para seus súditos. Deus então decretou: “Agora, pois, a espada jamais se apartará da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti...” (II Samuel 12.10,11).

“...o salário do pecado é a morte...” (Romanos 6.23). Essa “morte” é a morte eterna, o inferno, quando se parte daqui sem arrependimento, sem mudança de vida. Essa “morte” pode ser também a “consequência”, a decorrência, o efeito, de nossos atos, o preço que se paga, que muitas vezes é danoso e irreversível, perante a vida.

Por Davi cometer tais pecados, Deus o perdoou, porém, não retirou dele o castigo. Ele e sua família padeceram sob o peso da violência, do conflito e até homicídio, pelo restante de sua vida, aproximadamente vinte e cinco anos, afirma a Bíblia de Estudo pentecostal. Ninguém peca contra Deus e fica impune: “... a ti não te destruirei de todo, mas castigar-te-ei com justiça, e de modo algum te deixarei impune” (Jeremias 46.28).  “O homem de grande ira tem de sofrer o castigo (ou dano); porque se (tu, Deus) o livrares, voltarás a cometer o erro de novo” (Provérbios 19.19).

As Escrituras registram alguns reveses resultantes das consequências dessas iniquidades: a morte da criança, fruto do adultério dele com Batseba; incesto cometido por seu filho Amnom, com a meia irmã deste; o assassinato de Amnom por seu irmão Absalão, como vingança; tentativa de Absalão em tomar o reino, o que fez Davi fugir; a execução de Absalão, o que o fez prantear, terrivelmente, a morte desse favorito filho. Mais tarde Salomão mata o irmão Adonias. Tudo isso por que Deus decretou que “a espada não se apartará de sua casa”, significando perdas e dor.

Davi tinha muito a agradecer a Deus, pois, apesar disso tudo, não recebeu o castigo da sentença de pena de morte e nem a condenação eterna.

Não é curioso que um livro tão “banal”, para alguns, “cheio de lendas”, segundo a visão de determinados intelectuais, seja o favorito das nações? O mais impresso, o mais lido, o mais distribuído. Na lista dos mais importantes desde muito tempo. Conhecemos algum outro livro que contenha todas essas características ao mesmo tempo? Não é de se supor que há um poder sobrenatural divino por trás?

A revista coloca mais uma dúvida:

“Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia), teria sido escrita por Moisés. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor...”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte”? Interroga a revista.

A resposta é que com certeza ele não escreveu a narrativa de sua morte ou a escreveu por revelação: “Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor...” (Deuteronômio 34.5). “Conforme o dito do Senhor”. Deus pode ter revelado a Moisés que ele iria morrer com tal idade e de que forma, pois a localidade foi dita, e Moisés completou narrando sua condição física, na ocasião, como é citada. Da mesma forma como Deus orientou a morte de Arão. Veja como Deus “simplifica” esse ato: “E falou o Senhor a Moisés e a Arão no monte Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo: Toma a Arão e a Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte Hor; e despe a Arão as suas vestes, e as veste a Eleazar, seu filho, porque Arão será recolhido, e morrerá ali. Fez, pois, Moisés como o Senhor lhe ordenara; e subiram ao monte Hor perante os olhos de toda a congregação. Moisés despiu a Arão as vestes, e as vestiu a Eleazar, seu filho; e morreu Arão ali sobre o cume do monte; e Moisés e Eleazar desceram do monte” (Números 20.23-28).

Havia outras maneiras para isso, dentre elas, talvez Moisés tivesse um escriba (profissional que copiava manuscritos) que poderia ter dado continuidade ao texto. O termo escriba aparece em 48 capítulos na Bíblia.

“... Esdras subiu de Babilônia; e era hábil na Lei de Moisés dada pelo Senhor; e segundo a mão do Senhor, seu Deus, que estava sobre ele...” (Esdras 7.6).

Outra possibilidade, se é que houve, é que Josué, seu sucessor, tenha dado continuidade a escrita. O nome de Josué é citado em 52 capítulos da Bíblia. Ele presenciou muitos acontecimentos. Também os sacerdotes contribuíam com a escrita.

Depois da morte de Moisés Josué é escolhido por Deus para conduzir o povo até Canaã. Vejamos algumas passagens sobre ele:

“Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memorial num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué...” (Êxodo 17.14).

Deus é enfático ao citar o nome de Josué. O Senhor faz questão de que Josué tome conhecimento de certos fatos:

“E levantando-se Moisés com Josué, seu servidor, subiu ao monte de Deus...” (Êxodo 24.13.).

“Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus mancebos escolhidos, respondeu e disse: Meu senhor Moisés, proíbe-lho” (Aqui Josué lembra ao povo o que aprendeu de Moisés - Números 11.28).

“Depois (Josué) leu em alta voz todas as palavras da lei (parte da escrita bíblica, a Torá, Moisés já estava morto), a bênção e a maldição (referência a Deuteronômio 28), conforme tudo o que está escrito no livro da lei. Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação de Israel, perante as mulheres, os pequeninos e os estrangeiros que andavam no meio deles” (Josué 8.34,35).

Outros se questionam: “como poderia Moisés escrever tudo isso se ele não viveu na mesma época do acontecimento de certos fatos?”

“... meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa; boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor...” (Números 12.7,8).

O que acham que Moisés ficou fazendo nos quarenta dias e quarenta noites passadas ao lado de Deus? Cochilando ao lado dEle é que não foi. Moisés teve revelações, profundas, diretas do próprio Deus, como por exemplo, a narrativa da criação: “a terra era sem forma e vazia”, “o Espírito de Deus pairava sobre as águas”, “disse Deus: haja!”, etc., e não quis narrar como essas revelações foram ditas a ele, a exemplo do apóstolo Paulo que foi ao terceiro céu e propositadamente recusou narrar tal experiência em detalhes, pois, pessoas com um nível espiritual aquém não compreenderia e passariam a falar bobagens blasfemadoras.

“Depois disse Deus a Moisés: Subi ao (monte do) Senhor, tu e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel, e adorai de longe. Só Moisés se chegará ao Senhor; os outros não se chegarão; nem o povo subirá com ele. Veio, pois, Moisés e relatou ao povo todas as palavras do Senhor e todos os estatutos; então todo o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor tem falado faremos. Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor...” (Êxodo 24.1-4).

Muitos têm em mente àquela imagem de Deus escrevendo na Pedra, apenas “Dez Mandamentos”. Deus ditou coisas fantásticas a Moisés, coisas que, provavelmente, ninguém sabia, até ali, bem como escreveu outras revelações feitas aos patriarcas, como Abraão, que foram contadas geração após geração, com o Espírito Santo velando para que tudo se perpetuasse. Esse foi o princípio oral. A própria Bíblia nos explica isso:

“Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, nossos pais nos têm contado os feitos que realizaste em seus dias, nos tempos da antiguidade” (Salmo 44.1).

“Escutai o meu ensino, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade, coisas que temos ouvido e sabido, e que nossos pais nos têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, cantaremos às gerações vindouras os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que tem feito.

...ordenou aos nossos pais que as ensinassem a seus filhos; para que as soubesse a geração vindoura, os filhos que houvesse de nascer, os quais se levantassem e as contassem a seus filhos, a fim de que pusessem em Deus a sua esperança...” (Salmo 78.1-7).

As pessoas duvidosas se enredam em suas próprias teias de incredulidade. Perdem muito tempo buscando provas e rebatendo as improváveis. Chegam a seu fim sem despertar o que há de melhor dentro de si: a fé.

Outra questão sempre apresentada pelos incrédulos é; se havia apenas Caim e Abel, de onde veio a esposa de Caim?

Adão e Eva tiveram filhos e filhas (Gênesis 5.4). Caim, portanto, nos esclarece a Bíblia de Estudo Pentecostal, deve ter se casado com uma de suas próprias irmãs. Tal relacionamento foi uma necessidade, no início, hoje isso não pode mais acontecer, embora, vez ou outra tomamos conhecimento, em pleno século vinte e um, de relações incestuosas.

Posteriormente, com os casamentos entre parentes passou a se multiplicarem as anomalias biológicas nos filhos, esse tipo de casamento foi proibido (Levítico 18.6,9; 20.12; Deuteronômio 27.22,23).

E daí que Caim tenha se casado com a própria irmã? Isso aconteceu por causa do pecado. Veja que uma coisa leva a outra: desobedeceram, foram expulsos, foi cometido fratricídio, incesto. Deus sabia que eles iam procriar, e com certeza entre si.

Minha teoria é que, quem sabe, Deus fosse criar uma nação pura, sem inclinação para o mal, sem a carnalidade regendo. Íamos viver naquele belíssimo paraíso, onde tudo estava à mão. Mas o ser humano não passou no teste de Deus quando recebeu dele a ordem de não comer do fruto da árvore que estava no meio do Éden. São apenas cogitações. Que sabemos nós?

Ademais, eu não me importo com pormenores.  “... Agora, porém, não é o momento de nos perdermos em pormenores” (Hebreus 9.5).  Achei fantástica essa colocação.

Em dado momento o narrador de Hebreus, que explicava como se dava o culto nos primeiros tempos, abre um parêntese e alerta sobre pormenores de ordem espiritual que muitas vezes tomam proporção exagerada, degenerada, etc. E de que me serve saber quem escreveu sobre a morte de Moisés ou quem foi a mulher de Caim? Se a narrativa lá não está exposta em detalhe é porque o Espírito Santo se incumbiu de tal registro exatamente dessa forma, e isso é verdadeiro. Se eu me puser a procurar piolho dentro de olho de macaco, eu vou começar a delirar.

Embora para muitos alguns conhecimentos não devem ser aceitos, considerados, como prontos, do ponto de vista intelectual, sem que haja um questionamento, um aprofundamento argumentativo. A Palavra de Deus basta.

“... assim os pobres do rebanho que me respeitavam, reconheceram que isso era palavra do Senhor”. (Zacarias 11.11).

Os humildes, como grande maioria, conseguem aceitar melhor a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, do que os mais instruídos intelectualmente, uma vez que o conhecimento, além de abrir os horizontes, encheu também suas mentes de ceticismos.

Como sabemos que a Bíblia foi inspirada por Deus? Pela fé, e baseados no testemunho que Jesus dá sobre o Antigo Testamento: “Então ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas disseram (Antigo Testamento)! Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24.26,27), e: “Hipócritas! bem profetizou Isaías (Antigo Testamento) a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim”. (Mateus 15.7,8). Inclusive, devemos considerar o testemunho da própria Bíblia sobre a sua natureza: “Toda Escritura é divinamente inspirada...” (II Timóteo 3.16,17). Acima de tudo, como tenho mencionado a fé: “Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” (João 5.47).

A Palavra de Deus leva o homem a encontrar Deus e a si mesmo. Essa Palavra produz frutos que tornam o relacionamento humano fácil, acessível e amoroso. Por meio dela a humanidade unir-se-ia em amor e libertação. Como disse o pastor Márcio Valadão da igreja batista de Alagoinhas, BH: “A Bíblia nos mostra como estamos por dentro”.

 

 

 

Mein, John. “A Bíblia e como chegou até nós”. 8ª edição. Rio de Janeiro, Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1990.

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COELHO, Paulo. As Valkírias. 76ª ed. Rio de Janeiro. Editora Rocco, 1992

BÍBLIA de Estudo Pentecostal – AT e NT. Referências e Algumas Variantes. Trad. João F. de Almeida. São Paulo, CPAD/SBB, 1995.

BÍBLIA Sagrada (Eletrônica, AT e NT). Europa Multimídia. Programação: Leandro Calçada, Ilustração: Wilson Roberto Jr. Colaboração: Thélos Associação Cultural.

“REVISTA SUPER INTERESSANTE” - Quem Escreveu a Bíblia? - Editora Abril, São Paulo, SP, Edição 259, Dez/2008, pág. 59 a 67, por José Francisco Botelho.

https//.wikipedia.org/wiki/vulgata

https//.wikipedia.org/wiki/septuaginta

Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas