24 - Pecados, pecadores
“- Não existe pecado além da falta de amor, (...). Sigam o que seus corações mandarem (p.143)’’. Paulo Coelho, em “As Valkírias”.
Paulo Coelho não acredita que possa haver pecados que venham, assim, a contaminar o espírito do homem por meio destes. É um ensino maléfico. Portanto, para ele nada é pecado. Se não há pecado o homem está livre para exercer certas práticas de libertinagem, nesse caso, nem tem do que se arrepender.
O que é o pecado? Tudo aquilo que nos leva a transgredir os mandamentos, os estutos de Deus, o que viola nossa natureza, nossos princípios.
Vejamos alguns versículos:
“... se não procederes bem, o pecado jaz à porta... ... mas sobre ele (o desejo, o pecado) tu deves dominar”. (ter domínio próprio, autocontrole, raciocínio antecipado - Gênesis 4.7).
“Se não procederes bem”. Como é triste a falta de domínio próprio que nos leva a cometer o que não queremos. Se somos tementes a Deus padecemos quando percebemos que erramos, mais ainda, quando causamos má impressão e não tem como limpar essa “mancha”. Embora muitos não acreditem, em certos momentos há uma força maligna ou força carnal atuando, induzindo, desequilibrando, e então falhamos, ou até mesmo um temperamento instável. É preciso equilíbrio espiritual.
“Bom e reto é o Senhor; pelo que ensina o caminho aos pecadores”. (Salmo 25.8).
“Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida a dos homens sanguinolentos...”. (Salmo 29.9).
“Diante de ti puseste as nossas iniquidades, à luz do teu rosto (estão) os nossos pecados ocultos”. (Salmo 90.8).
“Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; e que fazem aliança, mas não pelo meu espírito, para acrescentarem pecado a pecado...”. (Isaías 30.1).
“Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz... e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados”. (Isaías 58.1).
Temos que nos posicionar quanto às práticas pecaminosas, quando oportuno, temos que alertar uns aos outros, devemos chamá-los à razão, mostrar o que a Bíblia nos ensina em todas as áreas.
- O pecado nos separa de Deus
“... mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto (de Deus) de vós, de modo que não vos ouça”. (Isaías 59.2).
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. (Mateus 7.22-24).
- O pecado escraviza
“Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo (o perdido) não fica para sempre na casa (no céu); o filho (liberto) fica para sempre”. (João 8.34,35).
- Deus se cansa com o acúmulo de pecados
“... me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniquidades”. (Isaías 43.24).
- O pecado causa doenças
“... teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isso será saúde para a tua carne; e refrigério para os teus ossos”. (Provérbios 3.7,8).
Para quem ainda resta temor a Deus, um pecado não confessado, uma prática pecaminosa não abandonada pode nos trazer consequências psicológicas seriíssimas, provocando por vezes, doenças de fundo emocional, por exemplo, dentre outras.
- Deus espera que haja arrependimento sincero, confissão a Deus, e à pessoa perante a qual, se for o caso, cometemos o pecado.
“Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho”. (Marcos 1.14,15).
“Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado”. (Salmo 32.5).
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...”. (Atos 3.19).
“Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros...”. (Tiago 5.16).
Nesse caso, se eu cometi pecado em relação a uma pessoa que se prejudicou por isso, que a deixou magoada, eu tenho o dever de pedir perdão a essa pessoa. A Bíblia assim estabelece, embora não obriga. Se a tal pessoa quiser me perdoar, ótimo! Se não, aí é com a consciência dela, no entanto, devemos orar para que Deus retire todo o mal, toda má impressão do coração ferido, uma vez que tivemos culpa. O importante é que eu tenha cumprido o que a Bíblia me ensina, com sinceridade, pois a Deus não se engana. Igualmente se dá quando alguém, sem ter consciência, nos magoa, ao invés de uma cara feia, sem que o outro decifre o que está acontecendo é preferível que confessemos nossa mágoa, nossa chateação, para que haja oportunidade de esclarecimento por parte do outro que não tem consciência do ocorrido. Nem sempre queremos fazer assim.
É muito duro, para quem teme a Deus, a constatação de que errou, falhou, pecou. Pois quem teme e respeita a Deus com sinceridade, não quer magoá-lo, entristecê-lo, não quer perder a salvação por conta desses erros, não quer ficar sem a presença do Senhor em sua vida e muito menos magoar pessoas.
Às vezes magoamos alguém com palavras, com opiniões pesadas, por falarmos demais, o que pode denegrir nosso caráter, nos arrependemos e vamos até essa pessoa, mas muitas vezes a tal não compreende ou não quer entender e perdoar, até a Bíblia nos alerta sobre isso.
É muito difícil reconquistar aquele que foi magoado. Tal pessoa não entende nossa fragilidade, nossas fraquezas nem o que a Bíblia ensina sobre essa lamentável facilidade em cair no erro:
“Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete”. (Mateus 18.21,22).
Setenta vezes sete resulta em quatrocentos e noventa vezes. São muitas as ocasiões em que podemos cair por isso a Bíblia nos manda “vigiar”. Só não podemos nos apegar a essa compreensão para assim vivermos pecando. Muitas vezes não estamos preparados para perdoar tantas vezes, isso acaba nos aborrecendo e nos cansando. Nisso falhamos também.
Com base em minha própria experiência hoje eu prefiro mil vezes ser magoada, e nem sempre me permito, dado meu temperamento, e apresentar a situação, humildemente, a Deus; do que ofender alguém e me torturar diante de Deus por causa de meu erro, como já aconteceu, pois tais pessoas só veem nosso erro com grande espanto. Não considera que, se a pessoa é temente a Deus ela lamentou e até chorou terrivelmente buscando dele, principalmente, o perdão. Dizendo a si mesma: “como pude?!”.
Quanto ao pecado para com Deus, ninguém terreno poderá nos perdoar, ou nos decretar livre perante Deus, mesmo que eu “pague” alguma penitência e isso nem é bíblico. Esse acerto é extremamente pessoal. Às vezes precisamos insistir com Deus, expor nossos sentimentos, com choro, como foi referido, para obtermos a paz que simboliza o perdão divino.
A revista VEJA noticiou que “o monsenhor polonês Slawomir Oder informou que o papa João Paulo II se autoflagelava. Segundo o monsenhor o papa possuía um cinto com o qual se açoitava quando estava só, e costumava dormir no chão para penitenciar-se. A prática de tais penitências é uma forma radical de expurgar pecados, especialmente os inconfessáveis”, explica a nota na revista. Quão triste é a falta de conhecimento bíblico.
- Deus não pede sacrifício pelos pecados
“Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste”. (Salmo 40.6).
“Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste...”. (Hebreus 10.8).
- Sacrifício humano não tira o pecado
“Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados...”. (Hebreus 10.11).
“O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor; mas a oração dos retos lhe é agradável”. (Provérbios 15.8).
Deus espera de nós a oração de confissão com sincero arrependimento. Só isso. Nada mais.
- Cristo se ofereceu como sacrifício para perdão de nossos pecados
“Sede, pois, imitadores de Deus como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. (Efésios 5.1,2).
“...de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todOs, quando se ofereceu a si mesmo”. (Hebreus 7.22,26,27).
“...mas este (Jesus), havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus...”. (Hebreus 10.12).
Portanto, de nada nos adianta penitência, sacrifício algum para que sejam perdoados os nossos pecados. A pessoa não tem que percorrer milhares de degraus, andar quilômetros, acender velas ou tantas outras coisas. Necessitamos apenas de fé, de crermos que Jesus está pronto a perdoar. Impossível confessarmos se não cremos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele (Jesus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.9). “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressurgiu...”. (I Tessalonicenses 4.14).
Não há outra forma de recebermos o perdão a não ser nos dirigir a Deus com arrependimento, humildade e súplica: “Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão...”. (Daniel 9.9).
- O sacrifício que agrada a Deus é um coração humilde e em comunhão com Ele
“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”. (Salmo 51.17).
- Uma vez confessado os pecados, com extremo arrependimento, Deus não só perdoa como, inclusive, “esquece”
“...Eis que te iraste, porque pecamos; há muito tempo temos estado em pecados; acaso seremos salvos? (Isaías 64.5).
“... diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados. (Jeremias 31.34).
“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais”. (Hebreus 8.12).
- O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado, uma vez que reconhecemos isso e passamos a viver sob a direção dele
“... mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”. (I João 1.7).
Veja o que é a inclinação ao pecado. Saiu uma reportagem na televisão que caminhoneiros paravam para atender uma bela loira que lhes acenava de maneira sedutora, achando que se tratava de uma prostituta. Porém, a “bela do asfalto” era apenas uma isca, uma armadilha, para uma quadrilha de assaltantes. O tal motorista foi torturado e assaltado. Outro motorista, casado, pai de família, que também caiu na cilada, quase teve sua vida exposta pela imprensa, deu entrevista sem se identificar.
Na Lei mosaica a profanação a Deus, deliberadamente. não tinha perdão:
“Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, pois que profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te diminuirei; e não te perdoarei, nem terei piedade de ti”. (Ezequiel 5.11).
Pela Graça (Cristo):
“...mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”. (I João 1.7).
- Porém, há também um tipo de pecado imperdoável por Deus, na Nova Aliança
“Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada”. (Mateus 12.31).
Encontramos outros pecados que Deus não perdoará:
- Quando nos recusamos a perdoar nosso irmão
“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas”. (Mateus 6.14,15).
- A continuidade voluntária no pecado
“Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários”. (Hebreus 10.26,27).
Mas se essas pessoas, hoje, no tempo da graça, que é regido por Cristo, se arrepender, mudar de atitude, vários pecados Deus perdoa, por causa de seu próprio nome e por amor a Cristo, pelo sacrifício do mesmo, porque esse é o objetivo dele, com exceção da blasfêmia ao Espírito Santo.
A respeito do imperdoável pecado de blasfêmia ao Espírito Santo, eu assisti um padre sendo entrevistado por alguém que conhece a Bíblia e citou o fato. O padre titubeou, não demonstrou convicção. Ficou um pouco, embora só um pouco, nas entrelinhas de sua resposta, que Deus não seria tão severo a ponto de não compreender “esse filho”, o momento, e o que o levou agir assim.
Os católicos não aceitam a intransigência, na maioria das vezes, da Palavra de Deus, nem considera Deus como, quando necessário, um ser severo, severidade esta por causa de sua justiça.
Acredite, a Palavra é taxativa para algumas situações. Não há meio termo. Já nós evangélicos estamos sempre consultando a Bíblia, quem nos dá a palavra final é a mesma, são os ensinos de Deus e de Cristo que contam.
Nós evangélicos, cremos, e a Bíblia contém esse ensino, repito, em um Deus misericordioso, que insiste para que o homem mude, que espera dele essa mudança, que fala com o homem por diversos meios. Deus não sai tocando fogo no mundo sem antes ter havido muita tolerância por parte dele, no sentido de longanimidade. Nesses momentos o homem tem ao lado dele um advogado: Jesus Cristo, intercedendo. Tem o Espírito Santo, orando com gemidos, alertando-o por meio de sua consciência, inclusive. Todavia, quando chega o momento de um julgamento condenatório, quando entra em ação o Deus Juiz, de Justiça, de Fogo Consumidor (tudo expressão bíblica), não há mais o que ser feito. Sorte do ser humano se algumas vezes, durante sua caminhada, antes de morrer, passar por situações difíceis e dolorosas como forma, também, de trazê-lo ao arrependimento:
“Homem de grande ira tem de sofrer o dano (consequência, castigo); porque se o livrares, terás de fazê-lo de novo”. (Provérbios 19.19).
“Considera, pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado”. (Romanos 11.22).
- Recomendações para que prossigamos em uma vida afastada do pecado
“Adverte-lhes que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra, que a ninguém infamem (caluniar), nem sejam contenciosos (duvidosos), mas moderados, mostrando toda a mansidão para com todos os homens. Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que a proclames com firmeza para que os que creem em Deus procurem aplicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e proveitosas aos homens”. (Tito 3.1-8).
“Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas...”. (Colossenses 3.5-7).
Quanto mais o homem se afasta de Deus, mais a presença de Deus se afasta do homem. Quanto mais o homem se aproxima do pecado, mais Deus se afasta dele.
Como era lá no princípio? Adão ouvia a voz do próprio Deus, Moisés falava com Deus “face a face”, Jacó, em sonho, viu uma escada da terra aos céus onde milhares de anjos subiam e desciam por ela. Pedro viu e ouviu o anjo que o libertou da prisão.
E hoje, como tem sido? Um completo afastamento, o elo foi perdido. Mas esse elo nos é restituído na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Cheguemo-nos a Ele.
“REVISTA VEJA” - Editora Abril, SP, edição 2150, ano 43, nº 05, de 03-02-2010, “Panorama-Datas”, pág. 40.
COELHO, Paulo. As Valkírias. 76ª ed. Rio de Janeiro. Editora Rocco, 1992.
BÍBLIA Sagrada (Eletrônica, AT e NT). Europa Multimídia. Programação: Leandro Calçada, Ilustração: Wilson Roberto Jr. Colaboração: Thélos Associação Cultural.
Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas