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17 - A Bíblia e o Papa
17 - A Bíblia e o Papa

17 - A Bíblia e o Papa

Uma matéria com manchete em letras garrafais em alguns sites (se o sites forem verdadeiros e as declarações também, nunca se sabe), contém algumas declarações atribuídas ao Papa Francisco, o qual afirma que “apenas a Igreja é capaz de interpretar as Escrituras por meio da Tradição”, a única habilitada a interpretar corretamente as escrituras”, “há uma unidade indissolúvel entre Escritura e Tradição” e que “a interpretação das escrituras não pode ser apenas um esforço intelectual individual”.

Ai de mim se eu não me empenhar na leitura bíblica, por meio de meu esforço intelectual. Nós evangélico não reivindicamos direito algum, quanto à leitura bíblica ou sua interpretação, pois não precisamos de “autorização” da igreja. Para nós nos basta a orientação do Espírito Santo acima de tudo, o livre arbítrio, o temor a Deus e o bom senso, no que diz respeito à explanação.

Sabe o que ocorre? Peguemos o exemplo de adoração de imagens. O que nos fala a Bíblia? Em suas páginas contém total refutação.  Mas o que diz a Tradição católica? Igreja vem com argumentos de si própria, de uma teoria medieval, que fala não ser “exatamente assim” e nos apresenta àqueles tipos de cultos: dulia, latria e hiperdulia.

Outro exemplo é o de apóstolo Pedro como papa. O que nos fala a Bíblia? Pedro era casado, não era celibatário, exercia o apostolado, e contribuiu com a formação de igrejas por meio da pregação aos gentios. Não existe referência ao fato dele ser papa, nem apresenta o substituto de Pedro, muito menos a liderança papal dentro da igreja, contudo, a Tradição afirma o contrário do que está exposto na Bíblia. E quanto ao batismo de crianças? Não existe na Bíblia, mas eles o fazem. Qual escolha devemos fazer? Eu escolho o que está registrado na Bíblia.

“E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus” (Mateus 15.6).

“...invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição que vós transmitistes; também muitas outras coisas semelhantes fazeis” (Marcos 7.13).

Ou seja, se optar pela “Tradição” a pessoa está dizendo que esta tem mais legitimidade, mais valor que a Palavra de Deus.

As classes dominantes, em tempos passados, não eram favoráveis à educação da plebe, do proletariado. Povo sabedor, povo rebelde; uma vez que esse povo tornar-se-ia consciente de seus direitos e da realidade que o cercava. Da mesma forma dá-se com a Igreja Católica atualmente. O que aconteceria se todos se conscientizassem de que a pregação dessa igreja não é compatível com a Bíblia? Os que temessem a Deus, aceitando o que está em sua Palavra, optariam por ficar com a Bíblia e não com a pregação errada, com a tradição. Daí a insistência da Igreja em não dar “liberdade”, embora todos tenham essa liberdade, e Deus deseja que a leiamos e a interpretemos. Que levemos aos outros esse conhecimento.

Jesus nos disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15), como pregaremos, como evangelizaremos sem o conhecimento bíblico? E o que evangelizaremos? Normas bíblicas ou normas tradicionais? “Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor...” (Isaías 29.12,13).

A Igreja Católica não consegue converter-se a ponto de ficar com o exposto bíblico. Ela não vai abrir mão de um ensino milenar. Ela não tem o convencimento do Espírito Santo a ponto de mudar, á exceção de algumas doutrinas, via ensino bíblico, a ponto de rejeitar o incompatível. Se a Igreja Católica assim o fizesse, estaria dizendo, corajosamente, que errou todos esses milênios. Quando um católico, temente a Deus, entende isso, ele sai da Igreja e a Igreja sai dele.

Contudo há quem escolhe viver pelo Velho Pacto, pela Tradição, pela “Antiga Lei”, a Bíblia chega a essa conclusão.

“E não somos como Moisés, que trazia um véu sobre o rosto... o entendimento (do povo) lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu” (II Coríntios 3.13).

O versículo citado é bem claro, em relação aos que preferem viver com os ensinos dos antigos, especificamente da lei mosaica, que não colocavam o ensino de Cristo, da nova aliança, em primeiro lugar, que não se alinhavam pela mesma, inclusive seguindo a Tradição, “o Velho Pacto”.

Espanta-me, ainda, encontrar, em pleno século XXI, pessoas a quem esse nocivo ensino foi implantado, e, supõem ser a leitura bíblica quase impossível de compreensão. Como poderia ser diferente se o principal líder religioso deles pensa da mesma maneira?

Certa vez conheci um senhor juiz, católico, aposentado, idoso, porém, muito lúcido e inteligente, em são Paulo. E ao conversarmos sobre a Palavra de Deus, ele me disse que a mesma “não é para qualquer um, não era para os leigos, pois é uma leitura de difícil compreensão, só quem a compreende são os sacerdotes”. Que pensamento arcaico! Ele subestima as habilidades dos leigos, em especial desconhece a atuação do Espírito Santo, que nos ajudará. Esse ranço da Igreja Medieval ainda persiste em plena contemporaneidade.

A Bíblia está ao alcance de qualquer um que nela crer, se houver fé, respeito, disposição para empreender marcha em seus caminhos, logo o Espírito Santo se disporá a nos revelar seus mistérios. Foi espantoso constatar esse pensamento no excelentíssimo juiz Dr. Júlio, infelizmente poucos anos depois ele faleceria. Não fiquei sabendo se ele conseguiu lê-la, a despeito de meu conselho.

Não somente o papa, mas também alguns padres, o que é um absurdo, acham que não vale à pena ler a Bíblia. Uma colega, professora, de 48 anos, portanto, não é “das antigas”, ex-católica, relatou-me que, mesmo nos dias de hoje, se ouve com certa assiduidade alguns padres afirmarem que a Bíblia não deveria ser levada ao “pé da letra”, pois poderia trazer confusão mental. Por conta disso, a mãe dela, que é bem católica, praticante, professora aposentada, nem ousa chegar perto de uma para lê-la. Tem medo de ficar psicologicamente afetada.

Felizmente essa minha amiga, ao adoecer, buscou refúgio na Bíblia, depois de muito incentivo de sua irmã para que a lesse, após tal leitura, muita mudança lhe ocorreu. Ela mesma me falou que, ao iniciar a leitura, não conseguia entender quase nada, mas persistiu e o Espírito Santo abriu-lhe a mente à medida que ia lendo. A própria Bíblia nos incentiva a isso, coisa que o catolicismo ignora. Vejamos:

Buscai no livro do Senhor, e lede...” (Isaías 34.16).

“Esforçai-vos, pois, MUITO para guardar, para fazerdes tudo quanto está escrito no livro da Lei...” (Josué 23.6).

É imperativo: “buscai”, “esforçai”, “procurai”...

“Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, escreverá para si, num livro, uma cópia desta lei, do exemplar que está diante dos levitas sacerdotes. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, e a guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, a fim de cumpri-los...” (Deuteronômio 17.18,19).

“Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele, dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Josué 01.8).

Em tempos antigos os exemplares eram bastante limitados, havia uma cópia destinada aos sacerdotes. Foi pedido que se fizessem uma cópia para o povo ter acesso. Qual era o objetivo? Para que “aprenda a temer ao Senhor seu Deus”. O conhecimento sobre Deus não é encontrado em outro lugar que não seja a Bíblia.

No versículo acima podemos ver em destaque o mesmo objetivo: “conhecer e temer a Deus”

Lemos lá atrás que “Deus colocou o desejo de eternidade no homem”. Isto está ligado inerentemente ao homem como algo que o liga a Deus, e quando DEUS não é encontrado, é formado nele uma imensa lacuna.

Em março de 2016 morreu o neto de um famoso artista brasileiro, que, a princípio estava desaparecido, teve seu corpo encontrado em uma praia deserta e distante de onde ele morava.

Ante esse fato doloroso a mãe dele deu uma entrevista e relatou que tudo começou por meio de um chá, que é promovido nos encontros de determinada seita. Desde quando ele se envolveu com esse ritual de tomar o chá, que é alucinógeno, ele mergulhou dentro de si mesmo e não conseguia “voltar” à realidade, necessitando de sério tratamento com psiquiatras, afirmava a mãe dele.

Tudo isso por que ele buscava preencher sua lacuna. Será que Deus não permitiu que alguém com conhecimento bíblico cruzasse seu caminho? Eu creio que houve essa oportunidade, até mesmo em uma troca de canal onde, às vezes, pulamos sem dar uma oportunidade de ouvir certos pregadores. Ele era artista, cantor de Banda musical. Para muitos é mais intelectual e filosoficamente aceito, e interessante, o ensino de uma dessas seitas.

Mesmo após ser considerado praticamente “curado” (não se sabe se ele voltou a tomar o chá sem que a família soubesse), o rapaz voltou a ter umas fantasias e afirmou que tinha uma missão, e parte dessa missão consistia em não se alimentar, em colocar em prática o jejum.

Sua morte foi dada por afogamento. Supostamente ele estava fraco, pela falta de alimentação e, exaurido, acabou morrendo em uma praia.

Eu fiquei pensando na família desse jovem. O que eles sabiam sobre Deus? Praticamente nada. O que eles ensinaram sobre fé, sobre o Deus verdadeiro? Como podemos ver nos versículos citados, é ordenado o ensino às crianças. E como será ensinado se os pais não o receberam?

“... quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher (igreja), lereis esta lei diante de todo o Israel, para todos ouvirem. Congregai o povo, homens, mulheres e pequeninos... (criança), para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei; e que seus filhos que não a souberem ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra...” (Deuteronômio 31.11-13).

Escreveu, pois, Jeremias num livro todo o mal que havia de vir sobre Babilônia, a saber, todas estas palavras que estão escritas acerca de Babilônia. E disse Jeremias a Seraías: Quando chegares a Babilônia, vê que leias todas estas palavras; e dirás: Tu, Senhor, falaste a respeito deste lugar... (profecia)” (Jeremias 51.60-62).

 “... desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual (a Palavra como ela é), a fim de por ele crescerdes para a salvação...” (I Pedro 2.2).

Não pode ser qualquer “leite”; tem que ser puro, inalterado, não contaminado, sem adulteração.

Esse mesmo pensamento, a respeito da dificuldade dos leigos não entenderem a Bíblia, encontrei nas declarações de um católico aficionado, em resposta à matéria sobre os Valdenses, postado no site Novo Tempo, por alguém com certo domínio teológico. A referida pessoa, que não se identifica, quando comenta sobre Pedro Valdo, nos diz o seguinte a respeito de estudo bíblico, reforçando o que aprendeu com o papa: “Textos fáceis podemos entender, mas para aqueles difíceis e complexos necessitamos de especialistas afinados e comprometidos com a verdade da Igreja, que NECESSARIAMENTE (o capslock é por conta dela) deverá ter como fonte de fé, a BÍBLIA, a TRADIÇÃO, e o MAGISTÉRIO. Sem essas três colunas, indubitavelmente, essa organização religiosa RUIRÁ, um dia”.

Para a salvação não se faz necessário “textos difíceis e complexos”, muito menos de “tradição” e “magistério”, é bom que se tenha o conhecimento intelectual, pedagógico e teológico, é formidável! Mas não são de fundamental importância à salvação. A Bíblia não é composta apenas de textos complexos.

Quando estou lendo a Bíblia fico sempre com o que apreendi naquele momento, se apenas uma frase, que seja, é o Espírito Santo quem me esclarece. Com certeza uma única frase bíblica poderá falar-me à alma. Quando eu voltar a ler o mesmo assunto, tempos depois, terei, mais ainda, melhor compreensão.

Seria bom poder entender o livro de apocalipse na sua íntegra, mas se o compreendo apenas por parte não impede minha salvação desde que eu não cometa heresia..

Da Bíblia, o mais importante é que entendamos o plano de salvação, delineado pela mesma, o significado do Novo Nascimento, a Nova Criatura que me tornarei por meio de ensino simples, bem como obediência à Palavra; senão, o que seria dos analfabetos? Pensando nisso, a revelação de Jesus nos dá um versículo: “Bem aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1.3). Jesus, aqui, falou para duas classes de pessoas: a instruída e a analfabeta. Tem muitos intelectuais que leem e nem valorizam, não detêm esse conhecimento; e têm muitos analfabetos que têm apreço, respeito e fé, pelo que ouve e pratica.

Fascinante também é ver pessoas em igrejas evangélicas, sem conhecimento de teologia, “dar um show”, em sua simplicidade, ao explicar o texto, porque Deus lhe concedeu esse dom, porque o Espírito Santo lhe dá a Palavra, pois se ele não aprendeu lendo ele aprendeu ouvindo: “Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar-se de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14.26).O mais importante é guardarmos os ensinos nela contidos.

A Reforma Protestante se levantou também com o intuito de combater a arbitrariedade clerical que determinava a proibição da leitura da Bíblia por parte de leigos na fé. Seus reformistas foram perseguidos por que eram a favor da Bíblia como autoridade e não a autoridade centrada na pessoa do Papa, eles rebelaram-se contra essa autoridade, colocando Cristo, e não o papa, como chefe espiritual da Igreja para os crentes.

Martinho Lutero (1483-1546) suspirava por Deus, dentre todas as coisas.

Estudando na universidade de Erfurt, Alemanha, achou na biblioteca a Bíblia completa, em latim. Até aquela ocasião ele supunha que as porções escolhidas pela igreja medieval para serem lidas aos domingos constituíam o todo da Palavra de Deus.

Depois de uma longa leitura exclamou: “Oh, se a Providência me desse um livro como este, só para mim”. Quanto mais ele lia, mais sentia sede de Deus, como nos explica o livro Heróis da Fé.

Depois de afixar as 95 teses na porta da catedral, em Winttenberg o monge passa a ser perseguido por sua própria igreja. Sabendo do grande perigo que Martinho corria, o príncipe da Saxônia armou um sequestro e o escondeu no castelo Wartburg.

O reformador conhecia bem o hebraico e o grego e em três meses tinha traduzido todo o Novo Testamento para o alemão. Em poucos meses a obra estava impressa e nas mãos do povo. A respeito da Bíblia ele disse: “Se vos afastardes dela por um momento, tudo estará perdido; se permanecerdes com as Escrituras, sereis vitoriosos”.

Com 62 anos de vida pregou seu último sermão sobre a seguinte passagem: “Ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos”. Cristo o chamou enquanto sofria um ataque do coração em Eisleben, cidade onde nascera (assista ao filme “Lutero”, com o ator Joseph Fiennes, exposto no Youtube).

William Tyndale, pastor acadêmico, da Universidade de Oxford, inglês, pré-reformista (1484-1536), estudou as Escrituras em hebraico e grego. Aos trinta anos de idade, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o inglês para que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler as Escrituras.

A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa de ler a Bíblia, na Idade Média. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, nesse caso, precisariam da ajuda da igreja, e no pouco que se dispunha a interpretação bíblica era feita de acordo com a conveniência do clero, principalmente para fins políticos e financeiros. Por exemplo: a Igreja pregava sobre o inferno a fim de ganhar dinheiro com as indulgências e forçar a permanência do fiel, não era por entender que o inferno era a condenação a ser evitada, e por meio de “pagamento” teria como evitar.

Tyndale deixou a Inglaterra e foi para a Alemanha, lá, em 1525, concluiu sua tradução e quinze mil cópias foram impressas, porém, as autoridades da Igreja Romana confiscaram e queimaram todas as cópias. William não poderia regressar à Inglaterra, pois estava sendo procurado como um fora da lei.

Estamos hoje aqui, com liberdade de, mesmo sendo leigos, podendo ler e debater a Palavra de Deus por que esses maravilhosos servos do Senhor, seguindo orientação do Espírito Santo, pagaram um “preço” altíssimo!

Nobres e comerciantes cooperaram para a tradução da Bíblia e a distribuição da mesma. Por causa desse gesto muitos foram decapitados, enforcados e queimados.

Surgiram os “Caçadores de Recompensa”, homens que viajavam de cidade em cidade, usando disfarce procuravam o “livro proibido” para queimá-lo.

Tyndale, denunciado por um falso amigo, foi capturado. Suas últimas palavras foram: “Senhor, abra os olhos do rei da Inglaterra”.Em seis de outubro de 1536, William Tyndale fora estrangulado, e a seguir, queimado em público.

Pergunta: como é que uma igreja que se diz seguidora dos passos de Jesus foi capaz de tamanhas atrocidades, e guiada sempre pela autoridade papal? Como?! Como ela pôde considerar tanto suas próprias regras em detrimento da Palavra de Deus?! Meditemos bem e façamos nossa escolha. E isso não é “coisa” de crente. A Santa Inquisição está descrita nos sérios livros de história.

Não basta simplesmente fazermos parte de uma igreja, como se isso fosse uma “indulgência” que nos garante um lugarzinho no céu. Seremos julgados pelo quanto seguimos a Palavra de Deus, pelo quanto Ela nos dirige, por nossas atitudes que agradam a Deus, em obediência.

Outro dia ouvi um pregador na TV que fez uma observação bem interessante, disse ele: “Antes da Reforma protestante não se ouvia falar em nações desenvolvidas. Depois que a Palavra tomou outra proporção, outra visão, da anteriormente estagnada, as nações que abraçaram essa visão foram prosperadas, e Inglaterra, França, Estados Unidos, foram chamadas de potências, tornaram-se nações bastante consideradas, dada seu nível de desenvolvimento. O mesmo não se pode dizer do Continente africano, onde reina a idolatria e a feitiçaria, bem como a Índia, nações que vivem na mais completa miséria.” Embora exista exceção. Deus abençoa pessoas determinadas, que se educam que buscam o conhecimento, que respeitam o próximo, que visam o bem comum, daí a prosperidade.

“... Dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele responde: Não sei ler...” (Isaías 29.12 - "Não consigo entender", "não compreendo". Trazendo para os nossos dias. Pessoas bastante religiosas se colocam dessa maneira em relação à Bíblia).

Por isso o Senhor disse, dentre outros motivos:

“Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração...” (Isaías 29.12,13).

Esqueçamos o ensino extra Bíblia, absorvidos por uma tradicional “decoreba” ao longo de nossa vida.

Ainda de acordo com uma citação no site Novo Tempo, também foi aludido que pequenas igrejas evangélicas fecharam suas portas, ruíram. Mas elas não fecharam as portas por que não dominavam a “tradição” e o “magistério”. Elas ruíram por que o fundamento delas não estava alicerçado no Senhor Jesus. Muitas dessas novas igrejas são lideradas por pessoas dissidentes.

Tradição? Veja o que diz o apóstolo Pedro: “... sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, (mais claro do que isso, impossível!), mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós...” (I Pedro 1.18-20). Essa expressão “recebestes de vossos pais” refere-se às tradições, ensinos, fora da Palavra de Deus, ou simplesmente a tradição da lei, que não conduzia à salvação.

A maneira de viver de muitos de nós era inútil para a salvação. Era fantasiosa e imaginária, conforme significado do termo “vã”, mas o santo apóstolo nos alerta que fomos resgatados por meio do ensino de Cristo, inclusive de certos ensinos errôneos transmitidos por nossos pais.

Caso continuemos com esse pensar pequeno manteremos a Bíblia de nós afastada. Deus sabe que em nós há certa capacidade e sempre alcançamos algo por meio dela. Se eu pegar um livro de Direito, de princípio todas aquelas leis são “gregas” para mim, contudo, se eu ler e reler, alguma coisa eu vou decifrar. Provavelmente eu não vou entender o que está nas entrelinhas, inerente aos juristas, aí vou à busca de um advogado. Em relação à Bíblia, vamos à busca do “advogado” Espírito Santo, que tudo nos ensina.

Deus é lindo! Sabe qual minha experiência? Às vezes fico “ruminando” determinado assunto e à medida que vou à igreja Deus vai permitindo que pregadores cruzem meu caminho, ou vice-versa, e a explicação de alguns fatos surge. Noutra ocasião peço, também, opinião de alguém que eu sei ter mais bagagem que eu.

Correu na Internet outras declarações, também atribuídas ao papa Francisco, que não se sabe se são verdadeiras. Vários sites explicaram que tais declarações começaram como uma brincadeira de um site de humor, que foram replicadas rapidamente por outros. Brincadeira de muito mau gosto, por sinal, anárquicas e, possivelmente mentirosas. Esse tipo de atitude não deveria ser propagado. Resolvi responder, por meio da Bíblia, claro, aos autores dessas declarações, que resolveram provocar os “fanáticos”, e esperam que a Palavra de Deus ou a Igreja estejam de acordo com seus contentamentos. Reitero: não as respondo como se fosse ao Papa, mas as tais pessoas que fizeram uso de seu nome, se algumas declarações não forem dele. Atenho-me apenas às declarações em si.

Assisti um dos programas da jornalista Marília Gabriela, em que ela entrevistava um padre, que logo se via o quanto ele era inteligente e versado. Ela o interrogou de maneira meio exasperada, embora bastante contida, mas gesticulava, movimentava a cabeça, tudo isso de maneira inconformada e quis saber: “Por que a Igreja não aceita, o uso de preservativo, que é para o sexo seguro, sabendo-se que evita doença, como a AIDS... Chega a considerar pecado... O que é essa coisa do pecado? Como se explica isso?!”

Achei que o padre titubeou um pouco, entre uma palavra e outra, e respondeu: “As questões sexuais ganharam um peso muito grande dentro do código moral cristão. Por que, eu não sei”. Fiquei decepcionada. Logo eles foram para outro assunto.

O código moral para nossas vidas é importante, e a Bíblia também nos ensina sobre isso. Mas acima dele estão as ordenanças de Deus, para muitos é incompreensivo certas regras ditadas pela igreja, quando esta se baseia na Bíblia, considerando a degradação moral que muitas vezes presenciamos. O sexo não foi criado por Deus para hoje ser vivido com essa banalidade. Deus criou o sexo para ser vivido por casais casados, ou seja, um homem e uma mulher. Se desobedecermos isso se chama pecado, e o pecado nos separa de Deus e separados de Deus sofremos condenação. É isso que nos ensina a Bíblia. Mas as pessoas desconhecem e não se interessam em conhecer, zombam, ridicularizam... Então, uma vez que a igreja não compactua com alguns conceitos, é porque ela se pauta pela Palavra de Deus. Aceitar ou não é com cada um. A solução não é ser a favor de preservativos, de sexo seguro, mas pregar sobre o pecado e ensinar o povo a obediência à Palavra.

“... Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus?” (Romanos 3.3).

Caso haja “neomodernismo” da Palavra de Deus, isso colocará os adeptos em um mundanismo ainda mais exacerbado. Um mundanismo totalmente à imagem e semelhança de Satanás e de “a grande Babilônia”, citada em Apocalipse.

“A igreja já não acredita em um inferno literal, onde as pessoas sofrem. Esta doutrina é incompatível com o amor infinito de Deus. Deus não é um juiz, mas um amigo e um amante da humanidade. Deus nos procura não para condenar, mas para abraçar. Como a história de Adão e Eva, nós vemos o inferno como um artifício literário. O inferno é só uma metáfora.”

Como bem observou um leitor ao postar comentário sobre essa suposta declaração atribuída ao papa, de que não existe o inferno, em sentido literal, nos lembrando de que, quem não crer que o inferno existe não crer nas palavras de Jesus faladas a respeito do mesmo.  Vão subestimar o ensino de Cristo?! Vejamos:

“Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte... e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo... será réu do fogo do inferno.

Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno” (Mateus 5.1,2,19-30).

“E tu, (cidade de) Cafarnaum (que rejeitou a Palavra de Deus), porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás. Quem vos ouve (aos discípulos que ensinavam), a mim (Jesus) me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele (Deus) que me enviou” (Lucas 10.15,16).

“Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão... ...os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.

Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai...  o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: Sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.

Entendestes todas estas coisas?... (Mateus 13.41-50).

Muitos acham que entendem, mas nada compreendem; outros, não querem perder tempo com essas “lendas”, com essas “fantasias”.

“Deus não é um juiz, mas um amigo e um amante da humanidade. Deus nos procura não para condenar, mas para abraçar.”

Deus não é juiz?! O sentido literário seria um Ser vestido de toga, sempre em constante julgamento. Deus é juiz em termos de autoridade espiritual máxima, que nos julga com retidão, ativo, que toma decisões, que tudo vê, a quem prestaremos nossas contas finais.

Jesus está como nosso advogado, enquanto formos vivos. No nosso julgamento, conjecturo, ele estará como “promotor” de justiça, permita-me a suposição. Não como um acusador, mas como um apresentador das nossas causas, nada mais poderá fazer por nós junto ao grande Juiz, que é Deus.

“O meu escudo está em Deus, que salva os retos de coração. Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias. Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco; já preparou armas mortíferas...” (Salmo 7.10-13).

Olha a severidade de Deus descrita nesse versículo acima.

“Embora, eu (Jó) seja justo, não lhe posso responder; tenho de pedir misericórdia ao meu juiz” (Jó 9.15).

“Mas Deus é o Juiz; a um abate, e a outro exalta” (salvação - Salmo 75.7).

“Mas, segundo a tua dureza de teu coração impenitente (homem incontrito, relapso), entesouras ira para tino dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em favor do bem, procuram glória, e honra e incorrupção; mas ira e indignação aos que são contenciosos, e desobedientes... tribulação e angústia sobre a alma de todo homem que pratica o mal...” (Romanos 2.5-8).

Quem leva o Homem ao inferno? Ele próprio, “segundo a dureza de teu coração impenitente” (Rm 2.5), mau, inflexível, sem humildade para reconhecer o poderio absoluto e soberano de Deus.

Deus é tudo isso que foi dito: amigo, amante da humanidade, realmente procura abraçar essa Humanidade para salvá-la, para fazê-la livrar-se de seus pecados, não para “compreender” seus pecados. Ele não tem interesse, muito menos prazer, em condenar a Humanidade, senão, Ele não teria enviado seu Filho Jesus, mas quando chegar a hora de condenar, caso seja esse o veredito, Deus vai condenar, ou melhor, Ele vai colocar em ação a sua justiça, em relação a isso Ele é severo.

“... porque, se Deus não poupou os ramos naturais (Israel), não te poupará a ti. Considera, pois a bondade e a severidade de Deus... do contrário também tu serás cortado” (Romanos 11.21,22).

Quando o casal pecou lá no Éden, o que fez Deus? Entendeu? Compreendeu? Deu-lhes uma nova chance? Não (embora nós sempre a tenhamos). Expulsou-os sem direito a apelação. Ora, o casal ouvia a voz de Deus, seus ensinos, seus mandamentos. Os dois estavam cientes de que se transgredissem morreriam, e não morreram?! Morreram para uma vida farta, eterna, com a contínua presença dEle.

Deus não lhes deu uma segunda chance para continuar a viver no Éden, Ele não deu chance à argumentação, por que não cabia mais isso. Ali é um modelo: o Éden é o céu, a Terra é o lugar onde estamos, só de passagem, mas tem gente que acha isso aqui é o paraíso, a Bíblia é a voz de Deus, são as regras dEle, as quais devemos seguir, tal qual lá no Éden. O tal fruto são os prazeres da carne, o qual estamos proibidos de “comer”, se desobedecemos nunca mais retornaremos ao Paraíso, que é o céu. Em desobediência, em pecado, jamais o adentraremos. Essa é uma escolha consciente, não tem “talvez”.

Não basta ser apenas um bom ser humano, temos o dever de procurar entender o Plano da Salvação que Deus tem para a humanidade exposto na Bíblia.

A Bíblia nos conta o exemplo de um jovem rico. É a história de um príncipe “quase” completo. Ele não adulterava, não matava, não roubava, não era mentiroso, não enganava ninguém, não desejava o mal de ninguém, não praticava mal algum. Era amoroso com o próximo, etc. Ele tinha todas as características de um indivíduo boníssimo. Certo dia ele se deparou com Jesus e quis saber: “Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?” Ora, por que toda essa preocupação se tudo, da parte dele, estava em harmonia com Deus?  Ele não tinha a fé, a certeza dessa vida eterna? Jesus disse-lhe: “Sabes os mandamentos...”. Ele respondeu demonstrando convicta fidelidade: “Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade”. Porém, falou Jesus: “Ainda te falta uma coisa...”. Muitas vezes nos falta, realmente, alguma coisa: entender o Plano da Salvação e o Novo Nascimento, a ponto de confessar isso entre todos. No caso desse jovem, o que lhe faltava era o desapego ao dinheiro, às coisas materiais (Lucas 18.18-23).

O Novo Nascimento dar-se-á por meio do Espírito Santo que nos conscientiza da necessidade de uma vida nova em Cristo, por meio da obediência à Palavra, consequentemente ocorre a conversão.

“Também vos tenho enviado, insistentemente, todos os meus servos, os profetas, dizendo: Convertei-vos agora, cada um do seu mau caminho, e emendai as vossas ações, e não vades após outros deuses para os servir e assim habitareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; mas não inclinastes o vosso ouvido, nem me obedecestes a mim” (Jeremias 35.15,16).

“Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios (pessoas não judias); e davam grande alegria a todos os irmãos. E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles” (Atos 15.3,4).

- Muitos recusam converter-se:

“Porque eles, no seu reino, na muita abundância de bens que lhes deste, na terra espaçosa e fértil que puseste diante deles, não te serviram, nem se converteram de suas más obras” (Neemias 9.35).

- A conversão, por meio do arrependimento, faz Deus mudar de ideia

“Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus se arrependeu (voltou atrás) do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez” (Jonas 3.10).

- Os milagres contribuem, e muito, para a conversão dos incrédulos

“Disse-lhe Pedro: Eneias, Jesus Cristo te cura; levanta e faze a tua cama. E logo se levantou. E viram-no todos os que habitavam em Lida e Sarona, os quais se converteram ao Senhor” (Atos 9.34,35).

- A Bíblia exige que nos convertamos

Converter-te-ás, pois, e darás ouvidos à voz do Senhor, e observarás todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno. Então o Senhor teu Deus te fará prosperar grandemente em todas as obras das tuas mãos... ...quando obedeceres à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus estatutos, escritos neste livro da lei; quando te converteres ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Deuteronômio 30.8-10).

Tu, pois, converte-te a teu Deus; guarda a benevolência e a justiça, e em teu Deus espera sempre” (Oseias 12.6).

 “Converte-te (‘Volta’, em algumas versões) ó Israel, ao Senhor teu Deus; porque pela tua iniquidade tens caído” (Oseias 14.1).

- Não há misericórdia de Deus para quem não quer se converter

“Se o homem não se converter (arrepender, em algumas versões)Deus afiará a sua espada; armado e retesado está o seu arco...” (Salmo 7.12).

Como podem ver não basta ter tão somente uma religião, há que se converter à Palavra de Deus.

Continuando sobre a perdição do Homem interrogo: Por que culpar a Deus pela perdição dos homens, se isso é uma escolha deles? Seria mesmo inconsciente? Há em todos nós uma voz nos alertando, ainda que seja “baixinha”... “longe”...

O ser humano colhe o que planta, nos informa a lei da semeadura: “Não erreis (não se engane): Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7). Se o homem plantou para a salvação, vai colher salvação.

Os anjos maus e os seres humanos que foram para o inferno, tiveram a chance de escolher entre o bem e o mal. Às vezes suas cegueiras espirituais não lhes deixam ver essa chance e simplesmente meneiam a cabeça para as coisas de Deus. Contudo, se em meio às maldades o homem se lembrar de Deus, se humilhar, se arrepender, com certeza colherá bons resultados. Lembrando, isso é o mais importante, que a salvação depende da aceitação a Cristo. Ele disse: “Eu sou o caminho, ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14.6). Conhece algum líder que ousou dizer tanto?

“E ali (no céu) haverá um alto caminho que se chamará “O Caminho Santo”; o imundo não passará por ele...” (Isaías 35.8).

Eu li, por esses dias, um pequeno livro infanto-juvenil e o autor perpassou esse mesmo ensino que “Deus é bom e não castiga os seus filhos”, exatamente na ocasião em que li sobre a suposta declaração atribuída ao papa, de que “Deus como um pai amoroso, nunca condena seus filhos”. Quando Deus castiga não quer dizer que há um lado mau em Deus. Absolutamente! Significa que o lado de sua justiça manifestou-se. Quando um pai castiga seu filho por causa de um erro significa que ele é mau? Pelo contrário, a disciplina o corrige, assim ele evita outro mal maior. Castigo e condenação estão restritos e exclusivos ao filho da desobediência e a todo aquele a quem Deus espera ver mudança de atitude.

“Acaso Deus, que castiga com ira, é injusto?” (Romanos 3.5).

Eu repreendo e castigo a todos quantos o amo: Sê, pois, zeloso, e arrepende-te” (Apocalipse 3.19).

“A todos quanto amo”, a intenção é a mesma de um pai: Corrigir, fazer o filho mudar, para que ele não venha cair em um precipício maior, no caso, espiritualmente falando, o inferno.

“Então me disse: A culpa da casa de Israel e de Judá é grandíssima, a terra está cheia de sangue, e a cidade cheia de injustiça; pois eles dizem: O Senhor abandonou a terra; o Senhor não vê. Também, quanto a mim, não pouparei nem me compadecerei; sobre a cabeça deles farei recair o seu caminho” (Ezequiel 9.9,10).

- Em algumas ocasiões Ele usa de misericórdia

“Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, o Senhor dos exércitos, ainda que a terra deles esteja cheia de culpas perante o Santo de Israel” (Jeremias 51.5).

Certa declaração considerou a Bíblia com “passagens desatualizadas”, “intolerantes” e pondera a possibilidade de ter havido “interpolações posteriores”.

O que seria “interpolações posteriores”? Interpolar, segundo Houaiss, é alterar textos introduzindo palavras ou frases novas. Isso significa que a Bíblia sofreu interpolação posterior por parte de outrem, e merece ser refeita? A única “interpolação” sofrida pela Bíblia, e católica, foi quando um dos Concílios Católicos acrescentou à Bíblia deles os livros apócrifos, como os evangélicos não aceitaram esses livros, os mesmos não conseguem ver interpolação alguma, o Espírito Santo cuidou que estivesse ali cada palavra. E não concordaremos, jamais, com nenhum outro tipo de mudança na Bíblia, a não ser com base em estudos teológicos, sérios, que venham facilitar a compreensão, como a tradução de termos hebraicos e gregos ao pé da letra, sem alteração da essência dos textos.

“... (e a Escritura não pode ser anulada),...” (João 10.35).

“Devemos reconhecer que a verdade religiosa evolui e muda. A verdade não é absoluta ou imutável. Deus está mudando e evoluindo... No passado, a igreja considerava muitas coisas como pecados que hoje já não são julgadas dessa maneira” (o negrito é por minha conta).

A tradução da continuidade dessa declaração fica a desejar, afetando um pouco o sentido, mas dá para entender o seguinte “Deus está dentro de nós e à medida que evoluímos, Deus evolui também”. Não é a igreja, propriamente, que determina o que é pecado. A igreja perpassa o que aprendeu na Palavra do Senhor. Os membros têm o dever de seguir esse ensino, se essa igreja se baseia na Bíblia, uma vez que é a Bíblia quem norteia a igreja. A igreja não pode modificar, nem anular o que a Bíblia determina. O pecado não pode ser ponderado, “diminuído”, amenizado, pecado vai ser sempre pecado. E não existe classificação quanto ao nível desse pecado. O pecado separa o homem de Deus. É Deus no céu com o homem, obediente, ou é o homem desobediente no inferno sem Deus, não podemos esquecer. O pecado não tem classificação quanto ao seu peso em relação às diferentes épocas, cultura e costumes.

“Pois eu, o Senhor, não mudo...” (Malaquias 3.6).

Deus mudou, digamos, o sentido governamental de seu povo. Ele transformou a Velha Aliança na Nova Aliança, e não deve satisfação. Mas em sentido de amor, justiça, julgamento, essência, Deus não mudou e nunca mudará.

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão (ou seja, acontecerá como a Palavra determina. Podem mudá-la o quanto quiserem)” (Mateus 24.35).

“Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles (os ídolos) perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Mas tu és o mesmo...” (Salmo 102.25-27).

Como veem Deus não muda. Deus não é moldável. Nem tão pouco sua Palavra. Ela vai permanecer o que é: extremamente radical para muitos. É pegar ou largar. Com o “extremismo” da Palavra entra-se no céu; sem o “extremismo” da mesma, entra-se no inferno. Não o extremismo da força, da violência, da imposição. Repito, jamais! Deus não força ninguém, e nos alerta que “não é por força, nem por violência”. O ser humano é livre, para crer ou não, e ter a religião que julgar correta e adequada.

Não adianta a igreja evangélica gabar-se de que a mesma está cheia de adeptos se esses adeptos estiverem sem a convicção de uma vida transformada, sem certeza de salvação em Cristo, com pessoas vivendo de fachada.

Pelo visto muitos têm em mente o objetivo, ao que parece, de fazer acréscimo à Bíblia com o intento de a Igreja poder “abraçar” a todos, como foi colocado:

Nossa igreja é grande o suficiente para heterossexuais e homossexuais... Para os conservadores e liberais, até mesmo os comunistas são bem-vindos a se juntarem a nós. Todos nós amando e adorando o mesmo Deus. Mesmo ateus reconhecem o divino. Através de atos de amor e caridade o ateu reconhece Deus, bem como, redime a sua alma, tornando-se um participante ativo na redenção da humanidade”.

“Todos amando o mesmo Deus?!” Desde quando comunistas e ateus estão interessados em “adorar a Deus” se nem creem nele?! (exceção para poucos comunistas). Isso pode acontecer, se o Espírito Santo os convencer da Verdade. A bondade de seus espíritos foi enraizada, provavelmente, pela boa estrutura familiar.

Dizer que o incrédulo se redime, por meio da bondade, é dizer que tem salvação pelas obras, por meio da prática do bem; mas não tem. Todos nós, ateus ou não, temos o dever de sermos boas pessoas e praticarmos boas obras:

“Porque pela graça (favor imerecido de Deus) sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós (não e por meio de nossas práticas), é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8,9).

“Não vem de vós, não vem das obras”, ou seja, não é mérito nosso não é pelo que fazemos, mas pelo que recebemos de Cristo por meio de nossa fé, quer coisa mais clara do que isso?! 

“Para que ninguém se glorie”. Travar-se-ia uma batalha, uma disputa, entre os que têm oportunidade de fazer mais obras e aqueles que não têm. Essa crença deve ser ranço das “famigeradas” indulgências.

“Mas se é pela graça (favor de Cristo), já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Romanos 11.6).

Sendo as boas obras suficientes para alcançarmos a salvação, Jesus (a graça) veio e morreu para quê?

“...as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Mas há alguns de vós que não creem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam...” (João 6.63,64).

 

 

 

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/04/papa-francisco-diz-que-apenas-igreja-e-capaz-de-interpretar-escrituras.html

https://exame.abril.com.br/mundo/so-a-igreja-e-capaz-de-interpretar-as-escrituras-diz-papa/

www.novotempo.com/estaescrito/videos/pedro-valdo-e-os-valdenses

http://jornaldehoje.com.br (Traduzido do site espanhol www.mundohistoria.org, segundo informa o Jornal de Hoje)

Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas