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22 - Pecados, pecadores
22 - Pecados, pecadores

 22 - Pecados, pecadores

“- Não existe pecado além da falta de amor, (...). Sigam o que seus corações mandarem (p.143)’’. Paulo Coelho, em “As Valkírias”.

Paulo Coelho não acredita que possa haver pecados, que mo homem possa contaminar seu espírito por meio destes. É um ensino maléfico. Se não há pecado o homem está livre para exercer certas práticas de libertinagem, nesse caso não terá do que se arrepender.

Vejamos alguns versículos:

“... se não procederes bem, o pecado jaz à porta... ... mas sobre ele (o desejo, o pecado) tu deves dominar” (ter domínio próprio, autocontrole, raciocínio antecipado - Gênesis 4.7).

“Se não procederes bem”. Como é triste a falta de domínio próprio que nos leva a cometer o que não queremos. Quando somos tementes a Deus padecemos quando percebemos que erramos, mais ainda quando causamos má impressão e não tem como limpar essa “mancha”. Embora muitos não acreditem, em certos momentos há uma força maligna atuando, induzindo, e então falhamos ou até mesmo um temperamento instável. É preciso equilíbrio espiritual.

“Bom e reto é o Senhor; pelo que ensina o caminho aos pecadores” (Salmo 25.8).

Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida a dos homens sanguinolentos...” (Salmo 29.9).

“Diante de ti puseste as nossas iniquidades, à luz do teu rosto (estão) os nossos pecados ocultos” (Salmo 90.8).

“Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; e que fazem aliança, mas não pelo meu espírito, para acrescentarem pecado a pecado...” (Isaías 30.1).

“Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz... e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados” (Isaías 58.1).

Temos que nos posicionar quanto às práticas pecaminosas, temos que alertar uns aos outros, devemos chamá-los à razão, mostrar o que a Bíblia nos ensina em todas as áreas.

- O pecado escraviza

“Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo (o perdido) não fica para sempre na casa (no céu); o filho (liberto) fica para sempre” (João 8.34,35).

- Deus se cansa com o acúmulo de pecados

“... me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniquidades” (Isaías 43.24).

- O pecado causa doenças

“... teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isso será saúde para a tua carne; e refrigério para os teus ossos” (Provérbios 3.7,8).

Um pecado não confessado, uma prática pecaminosa não abandonada pode nos trazer consequências psicológicas seriíssimas, provocando assim, doenças de fundo emocional, por exemplo, dentre outras.

- O pecado nos separa de Deus

“... mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto (de Deus) de vós, de modo que não vos ouça”. (Isaías 59.2).

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7.22-24).

- Deus espera que haja arrependimento sincero, confissão a Deus e à pessoa, perante a qual, se for o caso, cometemos o pecado

“Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Marcos 1.14,15).

Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Salmo 32.5).

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...” (Atos 3.19).

Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros...” (Tiago 5.16).

Nesse caso, se eu cometi pecado em relação a uma pessoa que se prejudicou por isso, que a deixou magoada, eu tenho o dever de pedir perdão a essa pessoa. A Bíblia assim estabelece, embora não obriga. Se a tal pessoa quiser me perdoar, ótimo. Se não, aí é com a consciência dela, no entanto devemos orar para que Deus retire todo o mal, toda má impressão do coração ferido, uma vez que tivemos culpa. O importante é que eu tenha cumprido o que a Bíblia me ensina, com sinceridade, pois a Deus não se engana. Igualmente se dá quando alguém, sem ter consciência, nos magoa ou magoamos alguém, ao invés de uma cara feia, sem que o outro decifre o que está acontecendo é preferível que confessemos nossa mágoa, nossa chateação, para que haja oportunidade de esclarecimento por parte do outro que não tem consciência do ocorrido.

É muito duro, para quem teme a Deus a constatação de que errou, falhou, pecou. Pois quem teme e respeita a Deus, com sinceridade, não quer magoá-lo, entristecê-lo, não quer perder a salvação por conta desses erros, não quer ficar sem a presença do Senhor em sua vida e muito menos magoar pessoas.

Às vezes magoamos alguém com palavras, com opiniões pesadas, por falarmos demais, o que pode denegrir nosso caráter, nos arrependemos e vamos até essa pessoa, mas muitas vezes a tal não compreende ou não aceita entender e perdoar, até a Bíblia nos alerta sobre isso.

É muito difícil reconquistar aquele que foi magoado. Tal pessoa não entende nossa fragilidade, nossas fraquezas nem o que a Bíblia ensina sobre essa lamentável facilidade em cair no erro:

“Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete” (Mateus 18.21,22).

Setenta vezes sete dá quatrocentos e noventa vezes. São muitas as ocasiões em que podemos cair por isso a Bíblia nos manda “vigiar”. Só não podemos nos apegar a essa compreensão para assim vivermos pecando. Muitas vezes não estamos preparados para perdoar tantas vezes isso acaba nos aborrecendo e nos cansando. Nisso falhamos também.

Com base em minha própria experiência hoje eu prefiro mil vezes ser magoada e apresentar a situação, humildemente, a Deus, do que ofender alguém e me torturar diante de Deus por causa de meu erro, como já aconteceu, pois tais pessoas só veem nosso erro com grande espanto. Não considera que, se a pessoa é temente a Deus ela lamentou e chorou terrivelmente buscando dele, principalmente, o perdão. Dizendo a si mesma: “como pude?!”.

Quanto ao pecado para com Deus, ninguém terreno poderá nos perdoar, ou nos decretar livre perante Deus, mesmo que eu “pague” alguma penitência e isso nem é bíblico. Esse acerto é extremamente pessoal. Às vezes precisamos insistir com Deus, expor nossos sentimentos, com choro até, para obtermos a paz que simboliza o perdão divino.

A revista VEJA noticiou que “o monsenhor polonês Slawomir Oder informou que o papa João Paulo II se autoflagelava. Segundo o monsenhor o papa possuía um cinto com o qual se açoitava quando estava só, e costumava dormir no chão para penitenciar-se. A prática de tais penitências é uma forma radical de expurgar pecados, especialmente os inconfessáveis”, explica a nota na revista.

- Deus não pede sacrifício pelos pecados

“Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste” (Salmo 40.6).

“Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste...” (Hebreus 10.8).

- Sacrifício humano não tira o pecado

“Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados...” (Hebreus 10.11).

O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor; mas a oração dos retos lhe é agradável” (Provérbios 15.8).

Deus espera de nós a oração de confissão com sincero arrependimento. Só isso. Nada mais.

- Cristo se ofereceu como sacrifício para perdão de nossos pecados

“Sede, pois, imitadores de Deus como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Efésios 5.1,2).

“...de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo” (Hebreus 7.22,26,27).

“...mas este (Jesus), havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus...” (Hebreus 10.12).

Portanto, de nada nos adianta penitência, sacrifício algum para que sejam perdoados os nossos pecados. A pessoa não tem que percorrer milhares de degraus, andar quilômetros, acender velas ou tantas outras coisas. Necessitamos apenas de fé, de crermos que Jesus está pronto a perdoar. Impossível confessarmos se não cremos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele(Jesus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.9). “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressurgiu...” (I Tessalonicenses 4.14).

Não há outra forma de recebermos o perdão a não ser nos dirigir a Deus com arrependimento, humildade e súplica: “Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra ele...” (Daniel 9.9).

- O sacrifício que agrada a Deus é um coração humilde e em comunhão com Ele

“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17).

- Uma vez confessado os pecados, com extremo arrependimento, Deus não só perdoa como, inclusive, “esquece”

“...Eis que te iraste, porque pecamos; há muito tempo temos estado em pecados; acaso seremos salvos? (Isaías 64.5).

“... diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados. (Jeremias 31.34).

“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais” (Hebreus 8.12).

- O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado, uma vez que reconhecemos isso e passamos a viver sob a direção dele

“... mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”. (I João 1.7).

Na Lei:

- Profanação a Deus não tinha perdão

“Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, pois que profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te diminuirei; e não te perdoarei, nem terei piedade de ti” (Ezequiel 5.11).

Pela Graça (Cristo):

“...mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” (I João 1.7).

- Porém, há também um tipo de pecado imperdoável por Deus, na Nova Aliança

“Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mateus 12.31).

Veja o que é a inclinação ao pecado. Saiu uma notícia na televisão que caminhoneiros pararam para atender uma bela loira que lhes acenava de maneira sedutora achando que se tratava de uma prostituta, porém, a “bela do asfalto” era apenas uma isca, uma armadilha, para uma quadrilha de assaltantes. O tal motorista foi torturado e assaltado. Outro motorista, casado, pai de família, que também caiu na cilada, quase teve sua vida exposta pela imprensa, deu entrevista sem se identificar.

Mas encontramos outros pecados que Deus não perdoará:

- Quando nos recusamos a perdoar nosso irmão

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas”. (Mateus 6.14,15).

- A continuidade voluntária no pecado 

“Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários” (Hebreus 10.26,27).

Mas se essas pessoas, hoje, no tempo da graça, que é regido por Cristo, se arrepender, mudar de atitude, vários pecados Deus perdoa, por causa de seu próprio nome e por amor a Cristo, pelo sacrifício do mesmo, porque esse é o objetivo dele, com exceção da blasfêmia ao Espírito Santo.

A respeito do imperdoável pecado de blasfêmia ao Espírito Santo, eu assisti um padre sendo entrevistado por alguém que conhece a Bíblia e citou o fato. O padre titubeou, não demonstrou convicção. Ficou um pouco, embora só um pouco, nas entrelinhas de sua resposta, que Deus não seria tão severo a ponto de não compreender “esse filho”, o momento e o que o levou agir assim.

Os católicos não aceitam a intransigência, na maioria das vezes, da Palavra de Deus, nem considera Deus como, quando necessário, um ser severo, severidade esta por causa de sua justiça.

Acredite, a Palavra é taxativa para algumas situações. Não há meio termo. Já nós evangélicos estamos sempre consultando a Bíblia, quem dá a palavra final é ela, são os ensinos de Deus e de Cristo que contam.

Mas nós evangélicos, cremos, e a Bíblia contém esse ensino, repito, em um Deus misericordioso, que insiste para que o homem mude, que espera dele essa mudança, que fala com o homem por diversos meios. Deus não sai tocando fogo no mundo sem antes ter havido muita tolerância por parte dele. Nesses momentos o homem tem ao lado dele um advogado: Jesus Cristo, intercedendo. Tem o Espírito Santo, orando com gemidos. Todavia, quando chega o momento de um julgamento condenatório, quando entra em ação o Deus Juiz, de Justiça, de Fogo Consumidor (tudo expressão bíblica),não tem mais jeito. Sorte do ser humano se antes de morrer apenas sofrer o dano como forma de trazê-lo ao arrependimento:

“Homem de grande ira tem de sofrer o dano (consequência, castigo); porque se o livrares, terás de fazê-lo de novo” (Provérbios 19.19).

Considera, pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado” (Romanos 11.22).

- Recomendações para que prossigamos em uma vida afastada do pecado

“Adverte-lhes que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra, que a ninguém infamem (caluniar), nem sejam contenciosos (duvidosos), mas moderados, mostrando toda a mansidão para com todos os homens.

Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.

 Fiel é esta palavra, e quero que a proclames com firmeza para que os que creem em Deus procurem aplicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tito 3.1-8).

 “Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas...” (Colossenses 3.5-7).

Quanto mais o homem se afasta de Deus, mais a presença de Deus se afasta do homem. Quanto mais o homem se aproxima do pecado, mais Deus se afasta dele.

Como era bem no princípio? Adão ouvia a voz do próprio Deus, Moisés falava com Deus “face a face”, Jacó, em sonho, viu uma escada da terra aos céus onde milhares de anjos subiam e desciam por ela. Pedro viu e ouviu o anjo que o libertou da prisão.

E hoje, como tem sido? Um completo afastamento, o elo foi perdido. Mas esse elo nos é restituído na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Cheguemo-nos a Ele.

 

 

 

 

“REVISTA VEJA” - Editora Abril, SP, edição 2150, ano 43, nº 05, de 03-02-2010, “Panorama-Datas”, pág. 40.

COELHO, Paulo. As Valkírias. 76ª ed. Rio de Janeiro. Editora Rocco, 1992.

BÍBLIA Sagrada (Eletrônica, AT e NT). Europa Multimídia. Programação: Leandro Calçada, Ilustração: Wilson Roberto Jr. Colaboração: Thélos Associação Cultural.

Vide tópico 56 - Referências Bibliográficas